Correio da Beira Serra

“Um dos objectivos é dar a conhecer esta carne nobre e elevar o valor do produto, em prol dos pastores da Serra da Estrela””

A 2ª Edição Borrego Serra da Estrela DOP, que decorre desde ontem e vai até amanhã, promovida pela Estrelacoop, passou por Lisboa, pelo restaurante a’Beira-te, decorrendo em paralelo em muitos restaurantes aderentes de vários concelhos da região. Contou com a presença do responsável da entidade promotora que ficou agradado com a iniciativa que atraiu entre cerca de 80 a 90 clientes para um showcooking do Chef Chakall. Joaquim Lé de Matos referiu ainda ao CBS que nesta segunda edição duplicaram o número de restaurantes e hotéis participantes. “O que pretendemos é que estes restaurantes e hotéis mantenham na sua ementa durante todo o ano Borrego Serra da estrela, para elevar o produto para os patamares que merece”, disse em entrevista ao CBS em Lisboa o líder da Estrelacoop.

CBS – Qual é o objectivo desta iniciativa e a vantagem de contar com um restaurante aderente em Lisboa?

Joaquim Lé de Matos – Muito importante. Esta é a segunda edição do festival do Borrego Serra da Estrela que procura dinamizar um produto de excelência, endógeno, da região da Serra da Estrela. Um produto que, diga-se, estava completamente desvalorizado. E estamos aqui no a’ Beira-te porque é um restaurante associado à Serra da Estrela e fazia todo o sentido a iniciativa decorrer aqui. É um estabelecimento que promove em Lisboa o nosso queijo, vinho, azeite, compotas, fumeiro, frutas e legumes. Realizou-se aqui um showcooking, com o Chef Chakall, do Borrego Serra da Estrela DOP. Uma iniciativa que vem de encontros aos nossos objectivos que é dar a conhecer este produto fora da nossa região. Queremos faça parte das ementas destes estabelecimentos ao longo do ano e que, por outro lado, incentive as pessoas a visitar a nossa região.

Será um produto também capaz de alavancar o turismo no interior?

Sim. O turismo e, ao mesmo tempo, os nossos produtos endógenos de excelente qualidade, que não têm o reconhecimento que merecem. Há o queijo Serra da Estrela, mas a nossa região tem muito, muito mais para oferecer. Quer em termos de gastronomia, quer de paisagem e património histórico que merece ser visitado.

Quem veio aqui experimentar pela primeira vez pratos confeccionados com este produto ficaram satisfeitos?

Estou em crer que sim. Todo o “feedback” que temos é muito positivo. O nosso slogan, de resto, diz tudo: “Para muitos é um novo sabor, para outros sabe a tradição”. Houve aqueles para quem foi mesmo um novo sabor e outros aproveitaram para o recordar de velhos sabores. Tivemos aqui cerca de 80 ou 90 pessoas de Lisboa que consumiram este produto e, estou certo, quando nos visitarem vão pedir borrego Serra da Estrela, como nos restaurantes locais.

O que diferencia a carne do borrego Serra da Estrela DOP?

Estamos a falar de uma raça autóctone bordadeira. É única. Está protegida. O único alimento que consome são os pastos da serra da Estrela em regime extensivo. Logo a carne é diferente. As ovelhas só se alimentam dos pastos da região e m regime extensivo. O borrego é mais tenro e mais saboroso. É uma carne nobre. Este ano ganhámos mesmo a medalha de ouro das carnes tradicionais portuguesas.

Mas esta iniciativa não é muito limitada, ao ser apenas de três dias?

O objectivo é que a partir deste momento, os aderentes estendam a iniciativa ao resto do ano. Queremos que os restaurantes e hotéis tornem esta iniciativa intemporal, mantendo o produto nas suas ementas ao longo do ano. Depois, existe uma plataforma borregoserradaestrela.pt onde encontra onde os clientes podem encontrar onde comer e ficar a pernoitar.

Esta segunda edição está a corresponder às expectativas?

Demos um salto quantitativo e qualitativo. Estamos a associados a oito municípios: Celorico da Beira, Fornos, Gouveia, Seia, Nelas, Mangualde, Oliveira do Hospital e Manteigas. Temos o apoio do Turismo de Portugal e do grupo Tavfer. Temos mais parceiros e restaurantes participantes. Podemos concluir que está a corresponder às expectativas.

Mas a actividade de pastor não é propriamente atractiva. Os jovens não têm aderido e os pastores estão envelhecidos….

Se nos ajudarmos uns aos outros é profícuo para todos, disse-me hoje aqui o empresário Fernando Tavares Pereira. E é verdade. Temos de trabalhar no sentido de inverter esse paradigma. Valorizando estes produtos para transformar a actividade atractiva economicamente. E, neste momento, o envelhecimento é uma grande ameaça à fileira do Queijo e borregos Serra da Estrela. Os produtores têm em média mais de 60 anos. E queremos atrair jovens. Têm aparecido alguns. Em Tábua, por exemplo, estabeleceu-se um jovem, o Jorge Ribeiro, que tem cerca de 300 efectivos de ovelhas serra da Estrela. E está a produzir leite para se fazer o queijo Serra da Estrela e a certificar borregos. É que a ovelha que é a mãe destes borregos é a mesma que dá o leite para o queijo Serra da Estrela. Não podemos dissociar estes dois produtos. O futuro passa por aqui.

Ainda sobre isso existem alguns dados animadores. Aumentámos o número de vendedores certificados para comercializar borrego Serra da Estrela, aumentámos o número de borregos certificados. Tínhamos dez produtores e hoje temos 38. Demos um salto qualitativo. Mas temos de estimular muito mais este mercado e elevar este produto para o seu verdadeiro valor. Em prol dos pastores que são a alma da Serra da Estrela.

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