A dependência é um fenómeno que se cola às pessoas, quando elas coabitam com a submissão e obediência cega, sem conseguirem ter energia para dizer não.
As pessoas fracas de espírito, com insuficiências financeiras ou académicas, são as principais vitimam dos “colonizadores de mentes”, que se julgam deuses e donos do universo.
Na antiguidade os dirigentes arvoravam-se em donos do céu, da terra, do sol, da lua, dos rios, do mar, do vento e até da vida dos outros seres humanos.
Ao julgarem-se representantes dos deuses, usavam o temor e os anseios dos seus semelhantes para governarem a seu belo prazer, criando uma enorme dependência na doutrina da adoração celestial e fornecendo uma droga que ainda hoje tem consumidores; o obscurantismo!
Eles consideravam-se imortais, logo com “poderes” absolutos dentro de uma hierarquia divina e onde todos os confrades tinham o seu quinhão.
A mentira e o logro foram sempre integrantes do carácter destes deuses com pés de barro, exigindo do seu rebanho os maiores sacrifícios e oferendas para as suas galas.
O povo, fraco na mente, mas forte no corpo, sempre se deixou dominar, com preguiça de usar o seu grande trunfo; a união para usar a força.
Não preciso de dar exemplos para dar forma a esta teoria da dependência.
O futebol, a religião, a televisão, a desinformação, a exploração da ignorância, a plantação do medo, bem elaborado e consubstanciado nos mistérios e nos dogmas, são os condimentos para tanta caldeirada de dependência.
Inventam-se histórias, criam-se mitos, ocultam-se as verdades, divulgam-se as mentiras, para no fim os “fiéis”ficarem agarrados às sementes da dependência.
Não importa quem pisam, não querem saber de quem sofre, são insensíveis à dor e ao sofrimento, pois tudo isso para eles é o “vídeo-game” da sua preferência.
Os filmes de violência são consumidos com tanta sofreguidão, que a ficção quase se transforma em realidade, tornando as pessoas insensíveis e dependentes de ver sangrar os maus da fita ou os bons, conforme a plateia que os visualiza.
Não pensem que estou a exagerar, pois só quem não assistiu a treinos de futebol dos mais novos e onde os pais são uns verdadeiros preparadores físicos de luta livre, pois algumas frases são bem elucidativas.
Vai-te a ele! Dá-lhe na canela! Parte-lhe uma perna!
A frustração dessas pessoas, o seu precário estado mental, a sua dependência de factores externos às suas vidas, é que os faz agir assim e por influência dos deuses.
Apesar dos seus poucos conhecimentos, os antigos ainda adoravam deuses, materializados nos fenómenos da natureza, mas infelizmente, hoje veneram-se deuses terrenos e provenientes, na sua maioria de terrenos pantanosos.
Um pobre camponês foi à feira e trocou os seus produtos hortícolas por um porco, mas como não tinha onde o guardar, colocou-o debaixo da sua cama.
O vizinho, ao tomar conhecimento do facto, questionou-o sobre o cheiro, ao que este respondeu com rapidez:
– Não se preocupe que ele habitua-se!
O povo já se tornou dependente do cheiro que exala dos deuses que nos governam.
Já não conseguem viver sem o perfume feito de essência suína, até ao dia em que só terão duas hipóteses; ou mudam de casa ou matam o porco.
Um enorme parque de diversões foi instalado neste país, onde os carrosséis e os carrinhos de choque, dominam as atenções e para que não falte nada, vai um arraial de pancada auditiva, misturado com a poeira dos frequentadores do recinto, alimentando o colesterol com as famosas farturas, escutando o vendedor da banha da cobra, apregoando que quem comprar dois baldes, leva um frasco de dependência para todo o ano e se acreditar no que diz, os baldes ficarão vazios.
Se tudo isto não fosse um verdadeiro drama, eu riria a bandeiras despregadas.
Andam por aí muitos loucos que se julgam deuses, forçando os outros a servirem de escadote, para subir ao altar a fim de espalharem as suas patranhas doutrinárias, que só lhes interessam a eles e aos seus colegas de Olimpo.
O título do filme é “Os deuses devem estar loucos”.
Estão até bastante saudáveis, pois os loucos, somos nós, que os adoramos na nossa profunda e crente dependência.
Nunca vi tanto mentiroso por metro quadrado, como nos tempos que correm.
A quem servir o barrete que o use e se olhe bem ao espelho para ver a figura que faz.
Temos que ser realistas e pensar seriamente no destino que teremos que dar ao porco.
Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
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