Home - Opinião - A escalada dos juros, a ausência de resposta dos políticos e a ineficácia dos POC… Autor: Fernando Tavares Pereira

A escalada dos juros, a ausência de resposta dos políticos e a ineficácia dos POC… Autor: Fernando Tavares Pereira

O país atravessa uma das maiores crises dos últimos anos, onde são esquecidas empresas e famílias. Quem é que pode suportar este aumento de impostos, taxas de juros e outros custos, particularmente, nesta região do Interior que tem necessidades que deveriam ter sido resolvidas há anos? O que é feito dos deputados eleitos pela região? Onde estão e que causa defendem? Será que não têm conhecimento dos problemas das famílias e das empresas desta região? Lamento que quem prometeu defender “o meu povo”, agora não tenha uma palavra para auxiliar as famílias, o tecido empresarial, a saúde e outros aspectos necessários ao desenvolvimento. E deveria (m) ter noção de que tudo o que agora se possa fazer já é tarde para uma região que está há anos à espera de infra-estruturas e serviços. Um atraso que levou à partida de milhares de pessoas e à desertificação.

O aumento de impostos nos últimos anos, municipais e nacionais, entre outras penalizações, aliado ao aumento dos juros, é algo que está a complicar ainda mais o dia-a-dia das famílias e do tecido empresarial do interior. É um caso em que urge tomar medidas. Infelizmente, não vejo os políticos, particularmente aqueles que foram eleitos pela nossa região, defenderem a população e as empresas que representam. Temos, por exemplo, um deputado bem nosso conhecido, a quem não se lhe conhece uma ideia sobre este tema. Não teve, que se saiba, uma intervenção digna de registo em defesa do interior. Nada. Mas a região precisa de quem dê a conhecer as suas dificuldades. E de quem lute para que o “poder” encontre as soluções necessárias.

Para superar a dificuldade da escalada dos juros, por exemplo, acredito que uma medida simples, que não afectaria estruturalmente nenhuma das entidades envolvidas, seria suficiente para mitigar o problema: o alargamento do prazo de amortização por dois anos dos financiamentos concedidos das famílias e empresas. Este período seria o suficiente para manter as mensalidades em valores aceitáveis. Seria uma medida que salvaguardaria famílias, empresas e não prejudicaria a banca que receberia no futuro com juros o valor que não é liquidado no momento. Teria ainda mais-valia de evitar falências e a degradação social.

Mas a manter-se esta inércia do poder político, o problema vai agravar-se e, aquilo que hoje pode ser resolvido facilmente, poderá transformar-se numa crise com falências, desemprego e numa grande dificuldade para as famílias manterem as suas habitações.

Outra das minhas preocupações é a ineficácia dos POC. O actual modelo pouco mais serve que absorver dinheiro e manter as pessoas ocupadas por algum tempo. Não tenho dúvidas: as verbas deveriam ser aproveitadas para realizar verdadeiros cursos profissionais, adaptados às necessidades de mão-de-obra de cada um dos municípios. Todos sentimos que não há carpinteiros, electricistas, mecânicos, profissionais da restauração etc, etc…. Mas não se vê vontade política para colocar esse dinheiro ao serviço de uma formação séria capaz dotar as pessoas de valências para integrarem o mercado de trabalho. Os próprios e as empresas agradeciam.

Aqui, um dos factores que prejudica todo o sistema é a circunstância da maior parte destas pessoas serem absorvidas pelas autarquias que não têm um plano de formação definido, limitando-se a funcionar como entidades empregadoras. Estes alegados formandos quando terminarem o dito POC continuam sem qualquer futuro. Não faz sentido. Os POC deveriam ser retirados da alçada do município e passarem a ser geridos pela segurança social e pelo IEFP, com cursos capazes de enriquecer quem os realiza e colocando à disposição das empresas mão de obra que tanta falta. Ganharia a economia e estas pessoas que passariam a ter mercado de trabalho. Mas precisamos de políticos que se preocupem verdadeiramente com “o meu povo”, a região e com o país.

 

 

 

Autor: Fernando Tavares Pereira

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