Um acontecimento um tanto ao quanto inusitado, marcou de forma indelével o mês de Dezembro de 1966 para a família de Joaquim “Ganhão” e Mariana Fernandes. O casal residente na Póvoa da Barbeira, Seixo da Beira, viu três dos seus filhos casarem-se no mesmo mês de 1966. Em Dezembro. Há precisamente 50 anos. Os três casais, num acontecimento não menos peculiar, continuam juntos ao fim de cinco décadas e estão todos a comemorar as Bodas de Ouro de boa saúde. Um evento raro no mundo e único no concelho de Oliveira do Hospital.

O primeiro dos irmãos a dar o nó foi Pedro Gonçalves Pereira com Delfina Delfina Esteves Dinis. O casamento ocorreu Ervedal da Beira a 3 de Dezembro de 1966. Em seguida foi a vez de Manuel Gonçalves Pereira se unir a Maria Isabel M. Pereira. A escolha recaiu no dia de Natal e o palco foi a igreja de Travanca de Lagos. Em Coimbra, na Igreja de São José, o último do trio a celebrar as cerimónias nupciais foi António Gonçalves Pereira que escolheu para companheira de vida Helena Marques Pereira. O dia: 31 de Dezembro de 1966.

Pereira 25/dez/1966
“Para a família, definitivamente, este não foi um Dezembro qualquer. Os jovens casais vivenciaram diversos acontecimentos em suas vidas e contrariando as estatísticas, todos eles celebram juntos e felizes o ouro que os une”, conta Adelina Tavares Pereira Marghidan, filha do último casal a unir-se e a residir na Holanda, que há vários anos faz a recolha de dados sobre a árvore genealógica da família. Uma linhagem que após 50 anos se multiplicou como resultado destes três casamentos. Actualmente, a família conta com mais sete filhos e filhas e nove netos e netas resultantes das uniões daquele Dezembro de 1966. “Os nubentes mantiveram a promessa viva ao longo destes 50 Dezembros e tornaram esta data inesquecível, transformando-a numa linda história de vida”, conta.

Tavares Pereira, 31/dez/1966

3/dez/2016
Ao longo do tempo, cada casal seguiu o seu rumo de vida. Pedro e Delfina partiram para o Porto onde moram actualmente. Manuel e M. Isabel emigraram para o Rio de Janeiro, onde permanecem e António e Helena, depois de uma passagem pelo Porto, onde tiveram um restaurante, regressaram, em 1977 a Vale Torto, Seixo da Beira, onde vivem.

em 2016
A data não vai ser comemorada em conjunto pelos três casais, dado a distância que separa os locais onde residem. Mas Adelina Tavares Pereira Marghidan garante que vai estar em Vale Torto para festejar com os pais, irmãos e respectivas famílias este acontecimento peculiar.

Tavares Pereira, em 2016
“Acho que estou mais feliz que os meus pais com esta data especial. Primeiro porque ambos estão bem e poder celebrar este dia com eles é um acontecimento único. Os meus pais são pessoas simples. Vamos celebrar com eles na casa onde eles vivem. Um almoço de família com as coisas que eles próprios cultivam no quintal”, conclui.
Esta é uma história que contraria a tendência registada nos últimos anos. Em 2013 foram realizadas cerca de 32 mil uniões, quase metade das 63 752 realizadas em 2000. A percentagem de divórcios em relação aos casamentos celebrados tem-se mantido nos 70 por cento. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, foram celebrados 31 998 casamentos em 2013. Divórcios foram 22 525, o que corresponde a uma percentagem de 70,4 por cento. Em 2012, o número de casamentos foi de 34 423, mais 2425 do que em 2013 (31 998). A diferença é mais acentuada no que diz respeito a divórcios. De 2012 (25 380 casos) para 2013 (22 525) são menos 2855 casos.
Estes números colocam Portugal como segundo país da União Europeia com mais divórcios. Apenas a Letónia tem uma percentagem maior (77%). No lado oposto está Malta, com dois divórcios em cada 100 casamentos. A acompanhar a descida está também o número de casamentos celebrados no altar. O sacramento do matrimónio está a cair em desuso, tendo sido realizados 11 576 casamentos católicos em 2013, quando as uniões pelo civil foram 19 920. Os irmãos Gonçalves Pereira contrariam mostram que os tempos mudaram e muito.
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