O membro da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira João Dinis escreveu uma carta aberta destinada a várias entidades a denunciar aquilo que considera uma “autêntica devassa reinante no Vale do Mondego, no concelho de Oliveira do Hospital”. O autarca e porta-voz da CDU no concelho oliveirense chama a atenção para o facto das “vertentes do Mondego” se encontrarem “desflorestadas há anos o que acelera os níveis de erosão” do solo, bem como “o avanço descontrolado e galopante das infestantes…”.
“Também se acumula giestas, tojo, silvas, ervas, por assim dizer, tudo a preparar os próximos, violentos e extensos incêndios rurais”, diz, sublinhando que existem “grandes mobilizações de terras abrindo socalcos” na vertente daquele rio. Lembra ainda o abandono a que foi votada “a maior e mais utilizada via de comunicação em todo o Vale – o Estradão fundeiro (está com 8,5 Km em terra batida) que se situa próximo à margem esquerda do Mondego – fica “regularmente” quase intransitável. João Dinis pretende saber igualmente o que têm feito ou tencionam fazer as autoridades competentes “para impedir as grandes mexidas de terras nas vertentes para o Rio Mondego” para “reverter tal situação, incluindo o arranque dos eucaliptos plantados (ou espontâneos) e a anulação dos socalcos por aí rasgados mecânica e irregularmente”. Solicita ainda que seja feito o possível “para voltar a franquear o caminho de acesso ao ‘Largo do Abel’ desde o Estradão fundeiro ao Vale do Mondego (margem esquerda)” que alguém encerrou.
Frisando que tem vindo a sinalizar e a dar conta dos vários atropelos “que se viam e ainda se vêem a olho nu”, João Dinis lembra que aquela zona tem sido procurada por estrangeiros que pretendem fixar-se na região contribuindo para um aumento populacional, o que, no seu entender, deveria ser acarinhado. “Cabe assinalar o aumento constante de imigrantes…, sobretudo desde Vale do Ferro (na UF Ervedal e Vila Franca da Beira) para Poente e até à EN 230. A vinda e a permanência destes novos habitantes tem aliás sido uma significativa contribuição para que a desertificação humana destas paragens não seja ainda mais dramática e desastrosa, pelo que muito importa assegurar-lhes melhores condições”.
Explicando que há zonas– por exemplo no chamado ‘Largo do Abel’ – “uma aprazível zona na margem esquerda do Mondego (ao fundo da Penha da Póvoa)”, João Dinis acusa a existência “de grande especulação com a venda de parcelas de terra”. “Nesse processo, foi interrompido, com a instalação abusiva de um portão metálico fechado a cadeado, um ‘velho’ caminho agro-rural que sempre conhecemos franqueado para acesso com viaturas ao ‘Largo do Abel’ e desde há mais de 50 anos. Note-se que as populações vizinhas também se serviam desse caminho para recolher lenhas lá depositadas pelo Mondego com as suas cheias. Agora, o caminho está fechado pelo que o Mondego está sem acesso, ali, ao bonito ‘Largo do Abel’”, remata.
A missiva é dirigida ao Ministro do Ambiente e da Acção Climática, ao Presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente e Energia, Presidente da CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, Senhor Presidente Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, Presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira, Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira, Presidente da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, Presidente do ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e ao SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza e do Ambienta (GNR) – Lousã.
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