Setenta e sete municípios da região Centro de Portugal e da província espanhola de Salamanca pediram, hoje, na Guarda, o reforço da ligação ferroviária entre Aveiro, Viseu, Guarda, Salamanca e Madrid, tanto para o transporte de pessoas como de mercadorias.
A reivindicação foi feita durante a conferência “Transporte Ferroviário no Corredor Atlântico”, que reuniu autarcas, dirigentes empresariais e agentes económicos de ambos os países, incluindo o coordenador europeu do Corredor Atlântico, Carlo Secchi, e a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias.
O evento culminou na assinatura da Declaração Regional Conjunta para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário do Corredor Atlântico Europeu no Troço Ibérico, um documento que apela aos Governos de Portugal e Espanha para “acelerar a implementação” desta ligação estratégica.
Os autarcas afirmam que a melhoria da conectividade ferroviária é uma prioridade para o transporte rápido e seguro de pessoas e mercadorias, com ênfase na necessidade de melhores ligações internas e no acesso à rede ferroviária ibérica. “Esta é uma aspiração e um objectivo comum, com o propósito de garantir mais mobilidade e o desenvolvimento dos nossos territórios”, defendem os subscritores da declaração.
Entre as propostas concretas, destaca-se a conclusão da modernização da Linha da Beira Alta, com “ligação eficaz a Madrid”, e a construção da linha de Alta Velocidade Aveiro-Viseu-Guarda-Salamanca. Também se exige a criação e requalificação de plataformas logísticas e terminais de mercadorias, além da promoção da intermodalidade entre a ferrovia, rodovias e portos marítimos.
Para os autarcas, este investimento é uma oportunidade de tornar o transporte de mercadorias e passageiros mais eficiente e confiável, ao mesmo tempo que se reduzem os custos para as empresas que dependem deste modal. O objectivo é, ainda, estimular o crescimento económico e atrair investimentos para as regiões da costa atlântica e interior da Península Ibérica.
Sérgio Costa, presidente da Câmara Municipal da Guarda, afirmou à agência Lusa que o Corredor Ferroviário Atlântico é a “coluna vertebral” do desenvolvimento económico da região Centro. “É uma porta aberta para a Europa, uma oportunidade para projectar o interior no mapa das grandes decisões logísticas”, sublinhou, acrescentando que a assinatura desta declaração representa “um momento histórico”, pois simboliza um forte compromisso político e institucional entre os territórios e os agentes locais dos dois países.
O autarca também destacou a importância do momento, especialmente em uma fase em que se avista “a luz ao fundo do túnel” com a abertura da Linha da Beira Alta. Ele lembrou que 60% das exportações portuguesas são realizadas por empresas localizadas entre Leiria e Viana do Castelo e canalizadas para a Europa, principalmente via Corredor Atlântico, o qual, segundo o autarca, “já ninguém coloca em causa”.
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