Apostada em produzir biocombustíveis substitutos da gasolina e do gasóleo, a BLC3 – Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro produziu em laboratório o primeiro bio-crude.
A substância que, entretanto, vai ser refinado à escala laboratorial foi conseguida através da giesta, uma espécie autóctone bastante rica em açucares e com grande capacidade de se multiplicar.
“Vem abrir uma excelente perspetiva para a obtenção de biocombustíveis de2ª geração”, adianta a BLC3 em nota de imprensa enviada ao correiodabeiraserra.com, onde também lembra que o fabrico do Bio Crude decorre no âmbito do projeto que a Plataforma, com sede na zona industrial de Oliveira do Hospital, se encontra a desenvolver – o BioRefina-Ter – e cuja pré-candidatura aos fundos comunitários, no valor de 118 milhões de euros, foi recentemente apresentada em Bruxelas.
Financiado em 2010 em 500 mil Euros pelo Fundo Florestal Permanente, o BioRefina – Ter prevê a construção de uma Biorrefinaria de demonstração com capacidade para produzir cerca de 25 milhões de litros de biocombustíveis de segunda geração, com base em vegetação espontânea e que abrangerá os concelhos de Oliveira do hospital, Tábua, Arganil e Góis.
O objetivo, como adianta a BLC3 , é o de alavancar a indústria nacional de bioenergia, replicando o modelo em todo o país, por via de uma biorrefinaria que poderá gerar entre 250 a 300 milhões de litros de biocombustíveis.
O BioRefina-Ter tem ainda a vantagem de procurar valorizar no território a vegetação que, hoje, está destinada a ser devorada pelos incêndios florestais, e de não entrar em competição nem com as culturas alimentares nem com a floresta.
É que, como explica a estrutura que tem a assinatura do atual executivo municipal, a principal matéria-prima do projeto são os matos e incultos existentes em solos esqueléticos e sem capacidade para uso agrícola rentável.
Tendo já atraído uma extensa rede de conhecimento, o BioRefina-TER – considerado pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia como “um projeto prioritário e de grande interesse nacional” – afigura-se como um projeto “altamente estratégico para reduzir a dependência dos derivados do petróleo, estimando-se que possa gerar em Portugal uma poupança anual de 1500 milhões de euros nas importações de petróleo”.
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