O “Congresso da Resiliência e da Liberdade” reuniu mais de 400 participantes de 32 academias de 15 países e destacou a força cultural e turística da região.
O “Congresso da Resiliência e da Liberdade” reuniu mais de 400 participantes de 15 países e destacou a força cultural e turística da Serra da Estrela, acolhendo entre 4 e 7 de Setembro representantes de 32 academias de bacalhau de quatro continentes – Europa, África, América e Oceânia. A Academia do Bacalhau da Serra da Estrela referiu que o evento combinou cultura, gastronomia e convívio, fortalecendo o futuro do movimento e o reconhecimento internacional da montanha.
O impacto económico estimado para a região, explica Academia do Bacalhau da Serra da Estrela, ultrapassou os 350 mil euros, contabilizando alojamento, restauração, compras e transportes, podendo, com o efeito multiplicador da promoção e da experiência vivida, ascender a mais de meio milhão de euros. Mais do que números, sublinha a missiva, o congresso consolidou a Serra da Estrela como palco de visibilidade internacional e hospitalidade, segundo o comunicado.
O presidente da Academia da Serra da Estrela, José Luís Cabral, sublinhou o papel deste movimento, descrevendo-o como “ponte entre culturas e gerações”. “O futuro será tão forte quanto a nossa capacidade de unir. Este Congresso provou que, juntos, somos capazes de muito mais. Tenho orgulho por ver a Serra da Estrela projectada como palco de cultura, gastronomia e turismo”, afirmou, acrescentando que “esta não será apenas uma reunião passageira, mas sim um ponto de partida para novas colaborações, novos projectos e novas oportunidades”.
“Este congresso terminou, mas a sua marca é eterna. Honrámos as nossas raízes, celebrámos a partilha e construímos juntos o amanhã. Levem a Serra no coração e, quando alguém vos perguntar o que foi este congresso, respondam sem hesitar: foi o melhor abraço que Portugal podia dar ao mundo. O futuro das Academias está garantido, mas precisamos de nos adaptar aos novos tempos e encontrar forma de atrair as novas gerações para este movimento”, frisou aquele responsável.
Durante quatro dias, os congressistas visitaram Gouveia, Seia, Trancoso, Pinhel, Guarda, Covilhã e a Torre, o ponto mais alto de Portugal continental. Segundo o comunicado da Academia, o programa procurou combinar momentos de convívio, experiências culturais, degustação gastronómica e reflexão sobre o futuro das academias.
O congresso ficou também marcado por momentos de emoção e união, como o minuto de silêncio em homenagem a comadres e compadres falecidos, que simbolizou o valor das tradições e da memória colectiva do movimento.
No plano institucional, a reunião de trabalho aprovou a criação da Academia do Bacalhau da Ilha de São Jorge, nos Açores, e anunciou que o próximo Congresso Mundial, em 2026, terá lugar em Toronto, Canadá. Segundo o comunicado, estas decisões reforçam a vitalidade do movimento, hoje com 63 academias espalhadas pelo mundo.
José Luís Cabral destacou ainda a dimensão simbólica do congresso. “Somos herdeiros de uma tradição que nasceu da amizade, da solidariedade e da portugalidade. Mas somos também responsáveis por dar continuidade a essa herança, adaptando-a aos novos tempos e tornando-a ainda mais relevante para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.”
O evento, garante a Academia do Bacalhau da Serra da Estrela, ficou marcado pelo equilíbrio entre tradição e inovação, evidenciando que a Serra da Estrela é um território capaz de acolher encontros internacionais com impacto cultural, social e económico, segundo a Academia do Bacalhau da Serra da Estrela.
História das Academias do Bacalhau
A primeira Academia do Bacalhau nasceu em Joanesburgo em 1968, no seio de uma comunidade portuguesa com mais de um milhão de pessoas. A ideia surgiu num jantar oferecido ao jornalista Manuel Dias, de “O Primeiro de Janeiro”, onde se discutiu como celebrar no estrangeiro o Dia de Portugal.
Durval Marques, presidente honorário das Academias, esteve entre os quatro fundadores que avançaram com o projecto. No dia 10 de Junho desse ano realizou-se o primeiro jantar-tertúlia, no restaurante Chave d’Ouro, assinalando pela primeira vez a data na África do Sul e inaugurando a chamada “Academia-Mãe”, presidida por José Ataíde.
A primeira Academia criada em Portugal foi na Madeira. Hoje existem 66 em todo o mundo. Segundo os seus membros, estas entidades mantêm os mesmos objectivos e espírito de amizade, portugalidade e solidariedade, mas funcionam de forma independente.
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