E funcionam em «circuito fechado» do ponto de vista dos interesses pessoais e partidários. E nesse circuito constituem-se como ponto de partida, ponto de passagem e ponto de chegada. Uns autênticos «glutões».
Um dia destes, em conversa estilo cavaqueira embora meio confidencial com um meu amigo, ele abordou alguns envolvimentos pouco recomendáveis e quer do ponto de vista da ética pessoal quer partidária, no caso do PS, protagonizados por alguns nossos conhecidos da política regional e local.
Depois dessa conversa, mais convencido fiquei eu que essa ética que, alguém já chamou de «republicana», está a ser subvertida ou apagada nos comportamentos de certa gente que aliás continua a influenciar a nossa vida de todos os dias. Não, não se trata de evocar ex-Primeiros-Ministros deste nosso País que nos imaginam (enquanto Povo) como uma «cáfila de camelos» ainda por cima domesticados.
Falámos sobre alguns conhecidos de muitos de nós e que, volta e meia, apareciam por perto e falavam e falavam quase sempre para nos engrolar. E conseguiam-no também porque este Povo é ingénuo quase sempre, e interesseiro algumas vezes.
Então, entendi escrever um artigo a abordar situações que não devem ser encobertas. Para mim, isso também serve para respeitar a minha própria consciência enquanto cidadão e democrata muito preocupado com o rumo que «isto» está a levar
Água da torneira de muitos é «conhaque» de alguns…
Vamos manter-nos no domínio da «res pública» (coisa pública) que é a que mais me interessa expor, sabendo, todavia, que a «res privata» (coisa privada) é ainda mais perversa do ponto de vista da tal (falta de) ética…mas que não deixa de ser privada.
Pois ao que nos lembramos, em 2020/21 uma tal empresa intermunicipal de «direito privado» mas de «capitais públicos» a partir das quotas das Câmaras Municipais de Gouveia, Oliveira do Hospital e Seia, essa Empresa assumiu responsabilidades e competências na água pública ao domicílio, e no saneamento nas áreas dos três municípios que a tinham constituído e em que eram Presidentes de Câmara os três primeiros membros do respectivo «Conselho de Administração”, os quais, por opção de conveniência pessoal, não foram remunerados a partir das contas dessa Empresa Intermunicipal. Ora, como é sabido, essa empresa designa-se por Empresa “Águas Públicas da Serra da Estrela, AP d SE”.
Pois então, encontramos agora no cargo de “director-geral” da dita-cuja um desses ex-presidentes de Câmara (tem um nome «curioso») que o era no acto da fundação. Estamos em crer que o homem, agora na reforma profissional, exerce a função de forma remunerada. Quanto é que aufere por mês? Não se enxerga isso de forma fácil ainda que percorrendo o «site» da Empresa. Talvez se consiga discernir analisando o «Relatório e Contas (2025)» que é suposto vir a público em breve. Mas aqui se aposta singelo contra dobrado que ele é remunerado pois até exerce a função a tempo completo. Atenção que ele até pode justificar bem o dinheiro que eventualmente ganhe ao mês e ao ano. E mesmo que assim seja, a questão será, sempre, a de não ser nada ético, mesmo legítimo, que um decisor público, repete-se, público, por então ser presidente de uma das Câmaras fundadoras da Empresa «APdSE», agora que deixou de ser presidente de Câmara, apareça na mesma Empresa como seu «director-geral» ainda por cima remunerado como deve estar a ser. E se assim se confirmar, o que é provável acontecer, também se prova que o senhor «não deu ponto sem nó»!.. E ainda assim haverá quem diga que ele é «esperto. Eu direi outra coisa bem diferente !….
Vou bem, vou bem, à boleia dos transportes públicos.
O Verão passado entrou em funcionamento uma rede de transportes públicos em toda a região centro, na área geográfica do distrito de Coimbra. Foi essa rede montada a partir de iniciativa, pública, da CIM, Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, da qual o concelho de Oliveira do Hospital faz parte. E Montemor-o-Velho também…
Tem a rede funcionado razoavelmente pelo menos até agora o que será o mais importante a referir, embora houvesse alternativa ao sistema instalado. Veremos como rolará daqui a uns tempos pois é uma multinacional a empresa que adjudicou o serviço.…
Entretanto, de repente, dá-se a gente conta que aparece em acção uma tal «AGIT, Agência para a Gestão do Sistema Intermodal da Região de Coimbra», também esta montada através de iniciativa autárquica, designadamente da CIM da Região de Coimbra. É uma «Agência» que é suposto ficar encarregada pela gestão, na Região abrangida, e cita-se, «do sistema integrado de bilhética (bilhetes)» intermunicipal.
Pois até aqui concedamos quanto à bondade da coisa… Todavia, não foi sem alguma surpresa que encontrámos como seu «executivo» (a tempo inteiro) desta “AGIT, um determinado senhor, ex-presidente de uma Câmara Municipal da região e também ex-presidente da própria CIM regional, funções que desempenhou precisamente nos tempos em que foram decididos a adjudicação e o início da rede de transportes intermunicipais de que falamos.! .
Pois também este senhor deve estar a ser remunerado pela nova função na gestão da AGIT.. «Voilà» (aqui está)» como dizem os franceses…
A confirmar-se, também este senhor «não deu ponto sem nó»…
E pelo meio, nas várias entidades que as Câmaras Municipais que as maiorias partidárias dominantes constituem, continuam a ser encaixados, por puro compadrio político e partidário, vários dos técnicos e outros em trabalho remunerado. Sim, tem sido a via partidária a preferencialmente seguida pelos decisores do sistema na admissão desses técnicos e outros funcionários. Mas então, e os outros, e os outros?
Neste regime «viciado» que não se admirem pela (preocupante) subida eleitoral e de influência, de certos «políticos» e respectivos partidos… A democracia e a nossa vida também sofrem com isso. Já basta !
Autor: Carlos Martelo
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