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EN 232: o abandono que transforma Manteigas numa “ilha”. Autor: Nuno Pereira

O caso da EN 232, que liga Mangualde a Belmonte, é exemplar do esquecimento que assola o nosso interior. Nos últimos meses, vimos o antigo e o novo presidente da República passear-se pelos locais afetados pelas tempestades. Mas Manteigas, essa, continua sem visitantes, mesmo depois de uma das suas principais vias ter desabado a 3 de Março. Lamentavelmente, esta estrada — vital para o turismo da Serra da Estrela e para a vida quotidiana das populações vizinhas — continua esquecida.

As alternativas? Estradas de terra batida, que mal se podem chamar alternativas, e nem sequer há previsão de solução definitiva. É certo que, se quisermos, poderíamos arranjar essa alternativa de imediato, mas isso não resolve o problema de fundo. A verdadeira solução passa por uma intervenção duradoura: ou se redesenha a rota, desviando a estrada para Este e eliminando por completo a passagem neste local, ou se arranja o troço existente — o que, para variar, será dispendioso e demorará anos a concretizar. Entretanto, reuniões sucedem-se, discursos multiplicam-se, mas de soluções… nada. Nem Infraestruturas de Portugal, nem ICNF, nem o Estado em si: todos parecem adormecidos, como se a Serra da Estrela fosse apenas um cartão postal, e não um território habitado.

Manteigas já tinha sofrido com a N338, agravada pelos incêndios de 2022, e agora vê-se confrontada com mais este problema. População que precisa de ir aos hospitais de Coimbra ou Viseu, que quer trabalhar, que desejava manter a ligação a uma das zonas mais bonitas da Serra da Estrela — Penhas Douradas — vê-se isolada. Vive em Manteigas como se estivesse numa “ilha”, esquecida pelo país que só se lembra dela para passeios, exploração de recursos naturais e, claro, para justificar fundos europeus que raramente chegam em obras concretas nestes territórios.

 Este é o preço da interioridade. Um território onde o abandono e a burocracia se misturam com paisagens de tirar o fôlego, e onde a política se mostra, no fim, incapaz de transformar o abandono em ação.

 

 

Autor: Nuno Pereira

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