A hipótese de considerar, como sendo uma verdade inquestionável, sem provas ou critérios objectivos de verificação, a fé, é uma ideia na qual se deposita uma enorme confiança e se colabora na sua transmissão de forma incondicional.
A crença na ressurreição e na vida para além da morte, torna as pessoas frágeis, dependentes e vulneráveis perante certas instituições, que usam e abusam da ingenuidade das pessoas, da sua ignorância, para em nome da fé, enriquecerem explorando os crentes.
No passado, mais ou menos, longínquo, podemos encontrar relatos verdadeiramente dantescos, que são a prova de que as instituições e as pessoas que as representam, não são credíveis para gerir a fé das pessoas.
O simples peditório para ajudar nas suas obras e acções, é, no mínimo caricato, pois quando se trata de ajudar o povo, a resposta, invariavelmente é a mesma; rezem e tenham fé!
O que pensar de pessoas, que representam uma instituição, que diz defender os pobres, os humildes e os desfavorecidos, que queimaram no fogo os que não acreditaram ou professaram a sua doutrina? A escolha que cada um faz das suas crenças, deve ser livre e pessoal.
Muito mal ficaram nas fotos e nos livros de história, os antepassados que conduziram a fé por esses caminhos muito tortuosos e obscuros, que com o passar dos séculos, em vez de emendarem a mão, continuam a gozar de privilégios que nos mostram abusos verdadeiramente chocantes, para nós, ao mesmo tempo, atrozes para eles próprios, pois continuam a beneficiar do beneplácito do povo.
Aproveito para questionar essa gente sobre o que fazem, contrariando, a decência e a moral?
Sempre ouvi os representantes da Igreja afirmar, através de vários concílios ecuménicos, que esta proíbe a actividade sexual entre membros do mesmo sexo, daí derivando a resistência à aceitação da homossexualidade dentro da sociedade cristã, facto que muitas vezes resultou em violência e eventuais mortes, para aqueles que se consideram parte de tal comunidade.
Actos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são incompatíveis com as suas crenças.
Subitamente a igreja abraça estes movimentos, por orientações da ONU, apregoando que temos que nos abraçar a todos e conviver com esta “abertura”, aceitando a homossexualidade e sobretudo não a descriminar.
A constituição da república portuguesa, no seu artigo 13 (principio da igualdade) diz;
2-Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Logo, por lei constitucional, não se podem discriminar, as pessoas seguidoras destas tendências ou práticas sexuais, o que, na minha opinião, torna desnecessária toda a pregação, alegando que querem ser livres e não discriminados e eu acrescento, que a humanidade sempre esteve dentro destas práticas, logo quem calou, consentiu.
Um conselheiro “especialista” da ONU sobre orientação sexual, emitiu um novo relatório, exigindo que os cristãos cumpram a ideologia esquerdista radical.
Madrigal- Borloz (o tal especialista) relatou à 53 Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que a liberdade religiosa pode ser compatível com a agenda LGBT, se os cristãos e outros grupos religiosos cumprirem a ideologia de esquerda e disse mais este “especialista”, que as crenças e tradições religiosas devem tornar-se subservientes à ideologia LGBT e à agenda da ONU.
Coincidência ou feliz oportunidade para a Igreja apagar a lista de casos de pedofilia e não só, pois dava imenso jeito que esta prática fosse legalizada e já agora, porque não, legalizar a zoofilia?
Abençoado “especialista”, que está mais direccionado para a politica de esquerda do que sexologia.
As JMJ, pediam uma intervenção dos defensores dos pobres, dos desprotegidos, das vítimas da fome em África, da exploração e do novo imperialismo, oriundo do continente americano, baseada na acção que Jesus Cristo tomou, expulsando os vendilhões do templo.
A fé tem sido usada como veículo comercial por instituições, elites e seitas.
Até quando a palavra de fé, esperança e caridade, passe à prática e acabe de vez com os invasores de sentimentos, oportunistas e desumanos, que fogem como o diabo da cruz, a comentar as 24 mil mortes por dia no mundo (30 milhões por ano), por desnutrição e fome.
As intenções destas jornadas estão bem visíveis para quem queira pensar um pouco e deixo esta pergunta; o porquê de toda esta opulência, esbanjadora de dinheiros, quando, no século XXI morre tanta gente de fome, sede e desnutrição?
Contradições no seu melhor!
Autor: Fernando Roldão
Artigo escrito pelo antigo acordo ortográfico
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