A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital promove hoje, dia 15 de Outubro e amanhã 16, à noite, no Largo Ribeiro do Amaral, dois espetáculos que classifica como «multidisciplinares» pois integram música, canto, logo inevitavelmente dança ainda que individualizada, que não vai haver música e canto sacros.
Não queremos aqui discutir a eventual qualidade do espetáculo o qual, pela apresentação prévia, até parece ter aspetos inovadores e com participação popular alargada. Essa não é a nossa questão. Nem sequer pretendemos dar conselho para se ir ou não ir assistir, matéria que é do foro pessoal.
Porém, temos que salientar que esses espetáculos promovidos pela Câmara Municipal cessante, caem exatamente a 15 de Outubro, na data da noite aterrorizadora e funesta dos grandes e trágicos incêndios de 2017, há apenas quatro anos atrás, e na noite seguinte, a 16, da dor ainda maior quando mais bateram, dentro de todos nós, as consequências já consumadas desses mesmos incêndios, com tanto drama e tanta tragédia como não há memória.

A foto procura reproduzir em primeiro plano, o lado negro desta iniciativa mas, a seguir, com a luz a vencer as trevas que esta gente aqui semeia…”.
Portanto, o respeito pela memória de dezenas de mártires, por outros afetados, o respeito pelos nossos valores, tradições e sentimentos, reclamam que não haja «festa» nestas duas noites – 15 e 16 de Outubro. «Festas» públicas que, afinal, aparentam «comemorar alegremente» a tragédia, e uma tragédia além do mais coletiva da qual nunca faremos o «luto completo». Aqueles incêndios de 15 e 16 de Outubro de 2017, seus dramas e horrores, jamais se apagarão dentro de quem os viveu e ainda menos dentro de quem os sofreu na carne ou no mais íntimo do seu Ser. Quem morreu, quem chorou e quem mais ficou destroçado, merece ações de recolhimento, horas de silêncio, evocações em eventos religiosos ou não, coletivos ou individuais. Com atos consentâneos e de acordo com a memória tão prenhe de dor como ainda prevalece, até porque o tempo que passou ainda é curto.
Assim não o entendem esta Câmara Municipal e a sua maioria do PS. Mas será que não tinham outra data para o efeito ? Que os faz correr de forma tão desabrida como inconveniente ? É mais do que lamentável e aqui fica este protesto.
Aliás, é bem detetável o desagrado que a situação provoca em muita Gente
e basta ouvir o que se diz sobre o assunto.
Os incêndios e sobretudo os de 2017 justificam ser lembrados. A Câmara poderia ter organizado um debate, uma exposição alusiva, a exibição dialogada de documentários sobre esses incêndios. Quiçá uma romagem expedita às campas dos falecidos nessas noites e depois ainda debaixo das terríveis consequências do fogo. Mas não o promover espetáculos do tipo que promove e tenham estes muita ou pouca música, muito ou pouco cantar e dançar.
No máximo, poderia fazer tocar e ouvir o «Requiem» do Amadeus Mozart, que é uma extraordinária «missa dos mortos». Será que a cultura por aqui, por certas bandas, não atinge este desiderato ?… É lamentável !
«In memoriam»
15 de Outubro de 2021
Um munícipe indignado
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