Home - Opinião - Finalmente, ao fim de 30 anos, a hora das grandes infra-estruturas. Autor: Nuno Pereira

Finalmente, ao fim de 30 anos, a hora das grandes infra-estruturas. Autor: Nuno Pereira

Pela primeira vez em décadas, há um plano que coloca como prioridade infra-estruturas essenciais para a Beira Serra e para a região Centro. O IC6, o IC7, o IC31 e a ligação à EX1 em Moraleja, com acesso a Madrid, deixam de ser meras promessas e transformam-se em projectos concretos. O TGV, tantas vezes debatido, pode finalmente avançar. Trata-se de um momento decisivo para o desenvolvimento territorial, para a mobilidade e para a coesão do interior.

Durante anos, sucederam-se garantias sobre o IC6, o IC31, a barragem de Girabolhos e outros investimentos estruturantes. Muitas dessas promessas nunca se concretizaram. Ficaram pelo caminho, varridas pela mudança de ciclos políticos e pela inércia burocrática. Agora, há um dado novo: pela primeira vez, estes projectos integram um verdadeiro plano estratégico de investimento.

O IC6 não ficará retido na Folhadosa, mas seguirá até à Covilhã. E, ao contrário do que tantos receiam, não dependerá de fundos incertos, nem de programas avulsos. Será um compromisso directo do Governo, incluído num programa delineado antes mesmo de se equacionarem eleições antecipadas. Há, portanto, uma base de planeamento inédita e um horizonte de execução até 2030.

Este avanço não é despiciendo. Durante décadas, reclamaram-se acessibilidades para a região. Assistiu-se a adiamentos sucessivos, a prioridades volúveis e a promessas esquecidas. Agora, pela primeira vez, há uma estruturação clara e articulada dos investimentos. A coesão territorial pode finalmente deixar de ser um mero slogan político para se afirmar como um objectivo realista.

Persistem lacunas. A ligação da A13 a Coimbra e ao IP3, a conexão entre Poiares e o IC6/IP3, a estrada entre a Pampilhosa da Serra e a sede de distrito, entre outras, continuam por fazer. Mas há caminho. Poderão e deverão ser integradas num esforço coordenado entre o Governo, as autarquias e as Infra-estruturas de Portugal.

Desde os anos 90 que não se via tanta certeza na concretização de projectos estruturantes. A coesão territorial pode, enfim, deixar de ser uma quimera para se tornar uma conquista concreta e merecida.

Autor: Nuno Pereira

LEIA TAMBÉM

“Afinal havia outra”… Havia outra zona para as fotovoltaicas da “Fábrica Godzila”… Autor: João Dinis  

Lembremos que, o ano passado, veio a público a intenção do grupo SONAE/ARAUCO em instalar …

Girabolhos não salva o Mondego: é hora de pensar no território, não na energia. Autor: Nuno Pereira

Não existem registos que nos possam acalmar relativamente às cheias do Baixo Mondego. Mas existem …