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Guarda retoma reabilitação dos rios Diz e Noeme após décadas de poluição

A Câmara Municipal da Guarda anunciou esta sexta-feira que vai avançar com a despoluição dos rios Diz e Noeme, depois de ter sido tamponado um colector de águas residuais que há mais de duas décadas contaminava estes cursos de água.

“Há 24 anos existia aqui um foco de poluição, mas esta Câmara deu seguimento a uma ordem do Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu. Houve coragem política para decidir encerrar o colector, que foi tamponado em definitivo na semana passada”, afirmou o Presidente da Câmara, Sérgio Costa, em declarações à agência Lusa.

A autarquia promoveu esta sexta-feira uma jornada sobre a recuperação de linhas de água afectadas pelos incêndios de 2022, em colaboração com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). O evento contou com a presença do Presidente da APA, Pimenta Machado, bem como dos directores das Administrações de Regiões Hidrográficas do Centro, do Norte e do Tejo e Oeste.

Na localidade da Gata, nos arredores da cidade, a comitiva foi recebida por autarcas locais, populares e pela deputada municipal do Bloco de Esquerda, Bárbara Xavier, que criticaram o estado actual do rio Diz e apontaram falhas na actuação das autoridades para travar a poluição.

Perante estas críticas, Sérgio Costa recusou-se a abordar o passado, mas garantiu que “a partir de agora estamos em condições de retomar o trabalho que foi interrompido há alguns anos para proceder à descontaminação deste troço final do Diz e, essencialmente, do rio Noeme”. O autarca assegurou que a despoluição será feita de forma “adequada e eficaz”, mas não avançou prazos para o início dos trabalhos, sublinhando que é necessário dar tempo aos técnicos para elaborar o projecto e garantir financiamento.

Já o Presidente da APA, Pimenta Machado, recordou que o organismo estatal realizou várias vistorias e notificou a Câmara da Guarda, tendo sido aplicada uma multa de 12 mil euros pelo Tribunal devido à infra-estrutura municipal que descarregava efluentes no rio. “A boa notícia é que esta estrutura foi tamponada, foram muitos anos de passivo ambiental, bem reconhecido e notificado, mas temos de continuar vigilantes”, alertou, sublinhando que o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR terá um papel crucial na fiscalização.

A monitorização da qualidade da água já foi iniciada, segundo o Presidente da Câmara, que anunciou a contratação de serviços para o efeito. Pedro Teiga, especialista em reabilitação de rios e ribeiras, será o responsável pela recuperação ambiental dos rios Diz e Noeme. O projecto inicial, iniciado em 2017, foi suspenso porque “a descarga de poluição não parou”, explicou o especialista à agência Lusa.

As empreitadas de recuperação de linhas de água afectadas pelos incêndios de 2022 continuam a decorrer e representam um investimento estimado entre 1,2 e 1,5 milhões de euros no rio Zêzere, abrangendo os municípios de Manteigas e Guarda. No rio Mondego, a intervenção deverá rondar os 2,5 milhões de euros.

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