Por vezes, há comportamentos e procedimentos com os quais nos identificamos menos, mas, também por vezes, há momentos em que não os toleramos, e, na última Assembleia Municipal, presenciei acontecimentos e comportamentos, que, de facto, me fazem querer outro caminho para o nosso concelho.
Em primeiro lugar, acho antidemocrático que o senhor Presidente da Assembleia Municipal (interino, como se diz no futebol) tenha afirmado que ia passar a “filtrar” as perguntas feitas ao executivo camarário. Já não bastava ao público que pretenda participar tenha que se inscrever com cinco dias de antecedência e enumerar as questões que vão colocar, agora, ainda estão sujeitas a análise…
Em segundo lugar, acho incompreensível como é que na proposta de incentivo à natalidade apresentada à assembleia pelo deputado Luís Lagos, que visava a redução do IMI consoante o número de filhos, se tenha errado por três vezes. Errou o senhor presidente da Assembleia Municipal ao retirar o direito ao deputado que apresentou a proposta de finalizar e refutar a proposta, errou o senhor presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital ao afirmar que a proposta não era bem fundamentada já que deveria conter os índices sociais das famílias, e, que eu tenha conhecimento, o valor patrimonial tributário que dá origem ao IMI já leva em consideração esse e outro tipo situações, e, já que se estava numa de errar, erraram a maioria dos deputados municipais ao chumbar esta proposta!
Em terceiro lugar, a cena protagonizada pelo deputado socialista André Pereira e pelo Presidente de Câmara que é de deixar Filipe La Féria com inveja. Quando o deputado interrogou o edil sobre o estado actual das bolsas de estudo, obteve por parte deste uma resposta com direito a folhas A4 que, a letra 26 do word, comparavam o que se gastava actualmente em bolsas e o que se gastava no executivo do anterior presidente Mário Alves. Foi pior a emenda que o soneto! Se a pergunta foi suspeita, a resposta foi esclarecedora, é que ser interrogado por um deputado e ter a “sorte” de ter um “cartaz” com a resposta a comparar dados de 2009 com 2015, é obra!! Mas, já agora, se queremos ser políticos e não demagogos, deixemo-nos de meias verdades e aprofundemos o assunto, quem criou o sistema de bolsas na câmara municipal? Talvez a resposta não interesse!.. Haja bom senso, ética e sentido de responsabilidade, afinal, nem a Assembleia Municipal é um teatro, como também não tenho visto por lá, o La Féria!…
Em quarto lugar, fiquei paralisado com o comentário de um deputado socialista a abordar os aumentos da água. Segundo este deputado, não é grave que se tenham verificado aumentos na água (aumentos estes que em alguns casos chegaram aos sessenta por cento) “porque em Seia a água continua a ser mais cara”. Eu quero lá saber se a água é mais cara ou não em Seia, com o mal dos outros posso eu bem (“Pimenta no cu dos outros para mim é refresco”)! Eu quero é saber quais os motivos que originaram estes aumentos bruscos e irracionais. Mas, se o facto de os munícipes de Seia pagarem a água mais cara que nós deixa o deputado socialista satisfeito, a mim, deixa-me triste. Deixa-me triste porque a nossa forma de administrar uma cidade não pode ser em função de comparações que dão jeito, que neste caso nem deu grande jeito, já que a água em Seia é ligeiramente mais cara que em Oliveira do Hospital, mas a dívida de Seia é superior à nossa em cerca de cinquenta milhões, é normal que tenham que pagar mais, aqui, com tamanha divida e com este pensamento camarário, já tinham privatizado os poços e os fontanários….!
Em quinto lugar, comecei a acreditar, depois de frequentar assiduamente as Assembleias Municipais, que é possível apanhar amnésia colectiva! De outra forma como poderia desculpar a insistente atribuição ao governo de todos os males que nos acontecem por parte deste executivo? Quando o Engenheiro José Sócrates levou o país à bancarrota e nos levou à assinatura do memorando com a troika, onde andavam vossas excelências? Viviam em Marte?
Para finalizar, é lamentável e decepcionante para os eleitores que, salvo raras excepções, pertençam a António Lopes, “presidente da Assembleia Municipal eleito pelo povo” (que tal como o Bruno de Carvalho, agora vê o jogo na “bancada”) a maioria das intervenções no sentido de saber o porquê de um aumento na água que mexe com a carteira de todos nós. Quanto a mim, esta deveria ser uma preocupação comum, mas, com maior grau de responsabilidade para aqueles que se elegeram sobre o slogan do “tudo pelas pessoas”!
Quanto ao resto, é já este fim de semana a Feira do Queijo e vem cá a TVI, e, como tal, vão tentar fazer o maior requeijão do mundo e premiar a maior abóbora! Sendo nós os “maiores” nestas áreas, há outras que caiem no esquecimento, mas isso, já eram outros assuntos…Enfim, prioridades!
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