Home - Economia - IC6 continua sem qualquer data para continuar. Ministro diz que é impossível avançar sem verbas comunitárias que não existem.

IC6 continua sem qualquer data para continuar. Ministro diz que é impossível avançar sem verbas comunitárias que não existem.

Continua a não existir qualquer data para o Itinerário Complementar 6 (IC6) chegar a Oliveira do Hospital. O ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, não conseguiu ir mais longe hoje, durante as cerimónias de assinatura das obras de requalificação da EN17, que explicar a necessidade de se conseguirem fundos provenientes de Bruxelas para se avançar. A única garantia que deixou, perante os pedidos do presidente da Câmara Municipal oliveirense, foi arrancar imediatamente com os estudos necessários para que a construção da obra possa ser uma realidade logo que exista dinheiro. Quando? Não conseguiu avançar qualquer data.

“Todos temos a consciência de que Portugal não têm capacidade para realizar investimentos de milhões de euros sem apoios comunitários”, referiu o ministro, para quem a sua forma de estar é de realizar apostas com actos concretos e não com promessas vãs. Deixou as promessas possíveis e muitas acusações ao anterior executivo liderado por Passos Coelho. “O compromisso que podemos realizar já é lançarmos os concursos necessários para irmos um pouco mais longe. Não encontrámos projectos nas Infra-estruturas de Portugal para realizar essa obra. Não encontrámos o estudo de custo benefício que é necessário, nem o relatório de impacto ambiental”, explicou, salientando que ia avançar já com estes aspectos. “Vamos ordenar à Infra-estruturas de Portugal que se lancem de imediato os concursos para os projectos definitivos, que se façam os estudos necessários. Pelo menos providenciamos que os projectos políticos fiquem disponíveis para quando houver dinheiro. Criamos as condições para que no futuro o investimento no IC6 possa ser uma realidade”, comprometeu-se. Esta promessa poderá desbloquear um dos problemas com que se debate Oliveira do Hospital que tem uma faixa com uma área de 400 metros não edificante devido ao traçado do IC6. O projecto definitivo acabará com esse entrave que, segundo José Carlos Alexandrino, está a impedir o investimento no concelho.

Reiterando que não tem qualquer ideia de quando as verbas poderão surgir, Pedro Marques lançou depois fortes acusações ao anterior executivo que culpou de não fazer nada pela obra e de ter mesmo convencido Bruxelas a não libertar qualquer verba no quadro comunitário 2020 para infra-estruturas rodoviárias. “Não encontrámos no programa 2020 um euro para estes investimentos”, explicou, enfatizando que, mesmo que houvesse verbas, a obra não poderia avançar por falta dos projectos necessários. “Foi a irresponsabilidade política do Governo anterior que determinou que hoje não haja fundos comunitários para este investimento. Mas também arrastaram os pés nas condições preparatórias desse investimento”, atacou, prometendo, porém, lutar desde já em Bruxelas, que se opõe ao investimento rodoviário, “porque foi essa a visão que lhe foi transmitida pelo Governo anterior”, ainda neste quadro comunitário pelas verbas necessárias.

O membro do Governo teve estas declarações depois de José Carlos Alexandrino lhe ter chamado a atenção para a importância que aquela via terá para o desenvolvimento da região. O autarca lembrou que naquele salão estava um conjunto de autarcas que sabem da necessidade que dessa via. “Não faz sentido a obra estar parada num pinhal quando nos faz falta como de pão para a boca”, atirou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, lembrando que o IC6 avançou em direcção a Oliveira do Hospital precisamente com alguns Governos dos quais Pedro Marques fazia parte. “A primeira vez foi com o engenheiro António Guterres, depois com o Governo de José Sócrates, na altura era secretário de estado das Obras Públicas Paulo Campos. Agora é a altura de Pedro Marques dar o empurrão que falta”, desafiou.

Pedro Marques não se comprometeu mesmo perante os números da economia da região apresentados por José Carlos Alexandrino, segundo o qual as empresas do seu concelho produzem anualmente 307 milhões de euros. “A balança comercial de Oliveira do Hospital é positiva em 20 milhões de euros. Tomara o país estar assim”, explicou, adiantando ainda que a via seria extremamente importante para ajudar a desenvolver um conjunto de concelhos que produzem uma riqueza considerável. “Tábua, Seia, Gouveia e Arganil produzem uma de riqueza de quatro mil milhões de euros. É muito dinheiro”, resumiu, salientando que aquela via não iria servir apenas Oliveira do Hospital. “O IC6 é para toda uma região”, sentenciou. Mas nada disto fez avançar o ministro com qualquer compromisso de avançar com a obra. Isso só acontecerá quando for conseguido dinheiro em Bruxelas. Quando? Ninguém sabe.

LEIA TAMBÉM

Oliveira do Hospital: EM 514 reabriu ao trânsito após deslizamento de terras na zona de Quintas de São Pedro

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital anunciou que a EM 514, na zona de …

Estradas cortadas e passadiço interdito em Oliveira do Hospital devido a chuva intensa e vento forte

O concelho de Oliveira do Hospital continua a registar várias ocorrências provocadas pelas chuvas intensas …