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IC6, IC7 e IC37: até quando esperar? Autor: Fernando Tavares Pereira  

O interior precisa de obras, não de anúncios. A possibilidade de avanço do IC6 abre uma oportunidade que não pode ser ignorada. Os municípios de Oliveira do Hospital, de Seia e de Gouveia deveriam unir esforços e solicitar reuniões ao ministro das Infra-estruturas, que, em Seia, assumiu a intenção de levar o IC6 até ao limite do concelho. Faltam ainda a ligação desta via à Covilhã, a construção do IC7 que permitiria o acesso directo à A25 e o IC37 que aproximaria Seia de Viseu. Apesar destas lacunas, trata-se de um momento que não pode ser desperdiçado e que exige empenho concreto das autoridades locais para transformar promessas em obras.

A região vive há décadas com carências estruturais profundas, um atraso particularmente evidente no norte da serra da Estrela. A falta de acessibilidades fecha empresas, afasta população e reduz oportunidades. Não há desenvolvimento possível numa terra desligada do restante país. E as autarquias, apesar dos discursos, têm mostrado pouca preocupação com as empresas, com quem aqui vive e trabalha.

O IC7 é um exemplo do atraso crónico nas decisões sobre infra-estruturas no interior. A sua função é simples: ligar Seia a Celorico da Beira ou a Fornos de Algodres, prolongando o IC6 e garantindo uma ligação directa à A25. Esta via aproximaria o norte da serra da Estrela do litoral e da fronteira com Espanha, criando condições de atracção de investimento. Continua, porém, sem sair do papel.

O terceiro eixo, o IC37, poderia avançar numa fase posterior. Ligaria Seia a Viseu, reforçando toda a rede regional. Seria sensato que o seu calendário acompanhasse o projecto da barragem de Girabolhos, previsto para 2037. Planeamento coordenado e menores custos resultam em maior utilidade pública.

Persistem ainda outros problemas antigos. A freguesia de Midões, no concelho de Tábua, por exemplo, continua esquecida. Não existe qualquer saída prevista no IC6, contrariando aquilo que tinha sido prometido em reunião de câmara, na qual o presidente do executivo assumiu que apresentaria um pedido para que esse acesso fosse contemplado. Nada indica, porém, que tal tenha acontecido. O projecto segue sem ligação à segunda maior povoação do concelho. Há saída em Covas, há saída em Travanca de Lagos. A freguesia de Midões permanece isolada.

Convém recordar que um itinerário complementar não é um Itinerário Principal nem uma auto-estrada. Deve ter várias saídas, servir as localidades que atravessa e aproximar populações. Negar acessos significa negar futuro.

Olhando para o país na sua globalidade, percebe-se que o interior continua afastado das prioridades nacionais. Não pede privilégios, apenas justiça. Reclama condições básicas, uma atenção mínima do Estado, um tratamento que o integre, em vez de o relegar para rodapé. Sem a união dos municípios, independentemente das diferenças políticas, não haverá desenvolvimento capaz de assegurar o futuro destas comunidades.

 

Autor: Fernando Tavares Pereira

 

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