«Não se habituem à guerra!» – apelou recentemente o novo Papa, Leão XIV.
Este apelo enquadra a ideia de não permitirmos que se aceite as guerras como «rotinas» civilizacionais, com insensibilidade perante a brutalidade desumana destas guerras todas, onde os primeiros e maiores sacrificados são os inocentes. Guerras em que os maiores interessados e beneficiados são os «traficantes da morte», os produtores e comerciantes de armamentos e seus «executivos» nos órgãos e organismos de todos os idiomas onde é decidido lançar as guerras em obediência aos «senhores da guerra».
Da nossa parte, não só rejeitamos sequer a ideia de nos habituarmos a elas como garantimos que perante a destruição, o sofrimento e a morte que as guerras provocam «nem um segundo nos calaremos!». E oxalá também assim façam todos os homens e mulheres de boa vontade!
Lamentavelmente, os «mercenários ideológicos», (como já por aqui ouvimos chamar-lhes), essa comandita avençada que, um pouco por todo o lado, teoriza sobre as guerras em concreto e em abstrato, eles infetam a opinião pública através da grande comunicação social com a epidemia favorável a uns e desfavorável a outros, os diretamente envolvidos no mando e no comando das várias guerras. Segundo eles, há os «santos e os pecadores» em cada um dos piores conflitos da atualidade. E, assim, há bombas «boas» e bombas «más» segundo eles, afinal como se umas bombas dessem vida e outras matassem… Não, não há bombas assim ou assado, todas as bombas, explodidas ou não, têm por objetivo último a tragédia e a morte e, por isso mesmo, todas as bombas são más embora haja umas ainda piores que outras! Não às bombas! Não aos armamentos!
Então e agora?
Israel bombardeia o Irão e os EUA (com o Trump) apoiam.
Com que cores se vão agora decorar sobretudo edifícios públicos?
Sem pretender classificar o ato e ainda menos o colocar tipo em alternativa, lembra-se o facto de se ter decorado, estilo solidariedade, variados edifícios e espaços públicos com as cores da Ucrânia a pretexto da invasão provocada pela Rússia do Putin. E quantas declarações de oposição têm sido proferidas contra essa invasão, sendo que o invasor deve ser condenado por isso?
Agora, os sionistas/militaristas de Israel, aparentemente comandados por um tal Benjamim Netanyahu, voltam a bombardear alvos militares e civis no Irão, numa guerra cinicamente classificada como «preventiva», ou seja, como guerra «boa» … E como é hábito nestas situações, aí estão, em barda, na grande comunicação social de uma série de países, os «mercenários ideológicos» em coro, a «justificar» a agressão bélica ao Irão como um direito de Israel que se sente ameaçada… Ou seja, o Irão é que é o «mau da fita», mas é este país e o seu Povo que são bombardeados pelos alegados «bons da fita», os sionistas de Israel…escoltados pelo autêntico «doido mau» do Trump! Vivemos tempos perigosos, muito perigosos mesmo!
E por cá, e pela União Europeia, as e os seráficos governantes, também subscrevem a tese do direito de Israel e dos sionistas a «defenderem-se» do Irão e a praticarem uma guerra altamente especializada e apoiada e, repete-se, classificada como «guerra preventiva» … Maldita hipocrisia!
Aliás, também foi a pretexto do cerco que a NATO montou à Rússia, portanto a pretexto da sua «defesa», que Putin lançou a invasão da Ucrânia e por lá a mantém três anos depois.
Sim, em analogia aos critérios e valores com que se «coloriu» a decisão de decorar, com as cores da Ucrânia, espaços e edifícios públicos, pelas mesmas razões se deve decorar esses espaços e edifícios com as cores do Irão. Ou com as cores da Palestina constantemente invadida e martirizada pelos sionistas de Israel. Mas ao que parece estes são assassinos «bons» …
Onde está a ONU? Onde anda Guterres?
De repente, a escalada constante das guerras pode acabar mal, mesmo muito mal e até à escala global. Sim, só a Paz faz sentido!
E neste contexto «explosivo», regista-se a «inutilização» provocada da ONU e, nesta, do seu Secretário-Geral, Guterres, o qual e independentemente da sua vontade não é tido nem achado nas alegadas «conversações de paz» patrocinadas precisamente pelos maiores «senhores da guerra» com o tal Trump à cabeça. Pois também a «inutilização» da ONU é um processo que serve lindamente os interesses dos «traficantes da morte» e seus «mercenários ideológicos» e governativos. Vivemos tempos perigosos, muito perigosos mesmo!
Junho 2025
Autor: Carlos Martelo
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