É com particular entusiasmo que escrevo estas linhas, inaugurando aquilo que espero vir a ser uma série de crónicas regulares neste espaço de opinião. Faço-o como jovem Oliveirense, participativa na vida autárquica do concelho, convicta de que propiciar a reflexão nestes meios públicos é um ato de cidadania, uma forma de intervir, de propor e de agir. Pretendo trazer à reflexão pública temas que me movem, inquietam e desafiam, na esperança de contribuir para o debate informado e construtivo na nossa comunidade.
E é precisamente sobre isso que hoje escrevo: a juventude enquanto força transformadora e a sua importância na vida cívica, política e autárquica.
Falar de juventude é, inevitavelmente, falar de futuro. Mas não só. É um erro persistente adiar também o seu lugar no presente. Esta fórmula esvaziada de conteúdo serve apenas para iludir o essencial: os jovens já estão cá, já pensam, já intervêm, já exigem. E não vão pedir licença.
A constante alegação de que os jovens não se interessam pela política é uma falácia. Eles querem participar, mas enfrentam estruturas envelhecidas, bloqueios persistentes, subestimação intelectual e espaços de decisão que muitas vezes não os incluem, nem os convidam a entrar.
Quando se perpetuam os mesmos rostos, os mesmos discursos e as mesmas soluções, o sistema corre o risco de se tornar refratário à mudança. É aí que a juventude se torna incómoda — e necessária. E tem essa legitimidade, não por favor ou concessão, mas por direito próprio.
Em Oliveira do Hospital, o espírito jovem é um exemplo notável. Para além da presença dos jovens nas várias iniciativas e coletivos juvenis espalhados pelas diferentes freguesias, contamos com o seu empenho e dinamismo nas direções de ligas, associações culturais e clubes desportivos, evidenciando um compromisso contínuo com a comunidade.
Nas recentes comemorações do 25 de Abril do Município, assistimos a uma destacada participação juvenil. Um conjunto expressivo de jovens teve a oportunidade de intervir quer a convite de partidos políticos quer a protagonizar momentos culturais. Foi de elevada importância presenciar, numa celebração tão simbólica, uma geração a levantar a voz de forma clara e decidida.
Este envolvimento ativo, não apenas nas celebrações, mas no quotidiano da nossa comunidade, é reflexo de uma juventude que não se contenta com o papel de espectadora. Está a construir, está a refletir, está a intervir. E fá-lo, muitas vezes, sem grandes apoios, apenas com a força da vontade e o sentido de missão. A sua presença não é um acaso, nem um momento pontual — é um movimento contínuo e consolidado, que se faz sentir em todos os espaços sociais e culturais. A juventude, em Oliveira do Hospital, não é uma promessa distante: ela já é uma realidade presente e veio para ficar.
Mas é fundamental que a política local acompanhe este impulso. Não basta celebrar a juventude nas datas festivas ou em espaços pré-determinados. O que se exige agora é uma inclusão plena nos processos de decisão. A juventude tem de ser uma protagonista nos desafios do dia-a-dia do concelho. O seu olhar, as suas soluções e a sua capacidade de inovar são elementos essenciais para o desenvolvimento Futuro de Oliveira do Hospital.
Termino com um apelo: à juventude Oliveirense, deixo o desafio de participar. A política não é um território alheio — é, antes de mais, um instrumento de transformação. E não há idade certa para começar. Só há um tempo possível: o presente.
Autora: Bárbara Coquim Serra
Jurista e Deputada Municipal
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