Home - Opinião - Nada trará de volta as maiores vítimas do Fogo Grande de 2017, mas importa honrar a sua memória e ganhar um futuro melhor! Autor: João Dinis

Nada trará de volta as maiores vítimas do Fogo Grande de 2017, mas importa honrar a sua memória e ganhar um futuro melhor! Autor: João Dinis

Em mim que, insensato, andei em estradas do Concelho na noite do Fogo Grande de 15 para 16 de Outubro de 2017, perdura  a marca, a fogo e a tristeza, dessa noite funesta em que o Inferno desceu à nossa terra a provocar o desastre, o drama e a tragédia, brutais !  Não, que não mais aconteça algo sequer parecido eis, em síntese, a nossa prece anual.

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e os principais Autarcas do Município ressentiram, como aliás lhes competia, o profundo choque provocado pelo Fogo Grande e enfrentaram reacções e consequências do desastre.  Podemos até dizer que estiveram bem no combate ao flagelo e às suas más consequências desde logo na superação das maiores sequelas, incluindo as psicológicas.

Cumprir a promessa camarária de construção do “Memorial às Vítimas” !

Estaremos lembrados daquela promessa imediata, feita projecto que até foi aprovado em sessão de Câmara ainda em 2017, para a construção de um “Memorial às Vítimas dos Incêndios de 15 de Outubro”. Foi mesmo aberta, pela Câmara, uma conta bancária solidária para as Pessoas depositarem donativos destinados a essa finalidade.  Pois então que aconteceu a partir daí ?  Pois que se saiba nada para além da distribuição de uma verba por pessoas mais necessitadas ! Porém, quanto ao “Memorial” ainda terá sido aberto um “concurso de ideias” mas aí parou a informação até hoje. quase sete anos depois ?!

Ora, consideramos não ter “prescrito” a promessa assumida em 2017 pela Câmara Municipal e seus principais responsáveis (maioria PS) quanto a esse “Memorial às Vítimas” !   É uma promessa perante a memória da tragédia e das vítimas principais e também é uma promessas perante os vivos, afinal aqueles que sobreviveram a essa maldita noite !

De minha parte, continuo a reclamar – e veementemente – que a Câmara Municipal finalmente mande edificar o “Memorial” que deve às Vítimas e aos sobreviventes do Fogo Grande de 2017 !

Mais vale prevenir os Incêndios que remediar !

Este ano, em meados de Setembro, voltaram em força os Incêndios Florestais / Rurais.  No Município de Oliveira do Hospital arderam cerca de 400 hectares de matagais e alguma (pouca) Floresta que não a há desde 2017.  A freguesia de Seixo da Beira foi atingida por um Incêndio vindo do vizinho concelho de Seia mas que entrou a arder por dentro de Seixo da Beira com passagem (perigosa) sobretudo junto a Vale Torto.  Enfim, poder-se-á dizer que foi pequena  a área ardida embora 400 hectares correspondam a 800 campos de futebol daqueles que temos nas nossas aldeias…  Queremos também assinalar que o Incêndio que passou da margem direita do Mondego (concelho de Carregal do Sal)  para a margem esquerda do Mondego, no nosso caso ao fundo de Fiais da Beira (freguesia de Ervedal da Beira), esse Incêndio foi dominado ainda com dimensões reduzidas devido à eficaz intervenção de uma “máquina de arrasto” (uma “Buldôzer” com lagartas) para lá requisitada pela Protecção Civil e que fez um “corta-fogo” para travar o desenvolvimento do Fogo em direcção a Fiais da Beira, ajudada embora pelo vento que aí soprava para Sul, em direcção a Vila do Mato (concelho de Tábua) onde veio a dar-se aquela tragédia com as mortes das duas Bombeiras e do Bombeiro da Corporação de Vila Nova de Oliveirinha.

Sim, a Prevenção de Incêndios Florestais / Rurais faz-se sobretudo no Inverno.    É suposto termos os orgãos e organismos do Governo para coordenarem e apoiarem essa candente tarefa que tal como ensina a sabedoria popular “mais vale prevenir que remediar” e, depois, há situações-limite que nem sequer têm remédio.  Portanto, governos e governantes têm que procurar (muito) menos as acções de pura propaganda política e partidária a passarem aos actos efectivos e eficazes.  Está em fase de debate o Orçamento do Estado para o ano que vem, 2025, mais uma oportunidade para fazer incluir no documento verbas de facto destinadas a ser utilizadas em defesa da Floresta, designadamente  em Prevenção dos Incêndios. Só como exemplo, é necessário fazer aumentar o chamado “Vale Floresta” destinado (em teoria) a apoiar financeiramente a limpeza das Floresta e que, agora, tem 600 euros por hectare para as limpezas mas durante 5 anos seguidos o que é tempo demais para o dinheiro disponível à partida e por isso, não é uma medida atractiva…

A nível do Município, temos a “Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios” que não se sabe o que anda a fazer.  Aliás, ouvimos até dizer que o representante das Juntas de Freguesia nessa “Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios” é o Presidente da Junta de Freguesia…da Cidade…

Então, é tempo de encarar um trabalho sistemático e orientado para acções eficazes nos territórios por parte  da “Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios”.  Sim, que nós vamos ter que “conviver” com os Incêndios Florestais / Rurais desejavelmente menos mas sobretudo melhor !  E o melhor mesmo é prevenir, prevenir !!

15 de Outubro de 2024

 

 

João Dinis, Jano

 

LEIA TAMBÉM

“Afinal havia outra”… Havia outra zona para as fotovoltaicas da “Fábrica Godzila”… Autor: João Dinis  

Lembremos que, o ano passado, veio a público a intenção do grupo SONAE/ARAUCO em instalar …

Girabolhos não salva o Mondego: é hora de pensar no território, não na energia. Autor: Nuno Pereira

Não existem registos que nos possam acalmar relativamente às cheias do Baixo Mondego. Mas existem …