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Nova ciclovia de 11 quilómetros em Carregal do Sal evoca legado de Aristides de Sousa Mendes

Carregal do Sal passou a dispor, desde 20 de Março, de uma ciclovia com cerca de 11 quilómetros que liga os Paços do Concelho ao Museu Aristides de Sousa Mendes e à estação ferroviária de Oliveirinha, num percurso que articula mobilidade suave com valorização da memória histórica. Designado “Caminho da Esperança”, o traçado vai além da prática de actividade física, afirmando-se como um itinerário evocativo da vida e do legado de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que, em 1940, concedeu milhares de vistos a refugiados perseguidos pelo regime nazi.

O presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Paulo Catalino Ferraz, sublinhou que o percurso integra quatro estações simbólicas, correspondentes a momentos marcantes da acção do diplomata. A primeira localiza-se junto à Câmara, seguindo-se outras ao longo do trajecto que atravessa Cabanas de Viriato, onde se situa o museu dedicado à sua memória, até à chegada a Oliveirinha, na freguesia de Oliveira do Conde, junto à Linha da Beira Alta.

“São quatro estações que nos remetem a quatro momentos fundamentais da passagem dos refugiados [que Aristides de Sousa Mendes ajudou] pelas fronteiras de Irun [Espanha} e Vilar Formoso [distrito da Guarda], Bordéus, onde o cônsul estava, e depois, claro, a chegada a Carregal do Sal, a Portugal, de onde a maior parte dos refugiados seguiu para outros países, nomeadamente os Estados Unidos e o sul da América”, sublinhou o autarca, destacando que a componente simbólica estende-se também à própria concepção dos espaços, que evoluem de estruturas mais fechadas para ambientes progressivamente mais abertos e luminosos, numa alusão à libertação proporcionada pelos vistos concedidos.

Durante a inauguração, foi ainda assinalado um momento simbólico com a plantação de uma oliveira na primeira estação, designada Oliveira Sagrada, que marca o início de um conjunto de pontos interpretativos ao longo da ciclovia.

Na sessão, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, José Ribau Esteves, destacou o impacto que a acção de figuras individuais pode ter na vida de milhares de pessoas. Já o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, salientou o contributo de iniciativas desta natureza para a valorização do território e para a atracção de visitantes.

Nascido em 1885, em Cabanas de Viriato, Aristides de Sousa Mendes exerceu funções como cônsul em Bordéus durante a II Guerra Mundial. Contra as ordens do regime de Oliveira Salazar, concedeu cerca de 30 mil vistos a refugiados, maioritariamente judeus, permitindo-lhes escapar à perseguição nazi. Regressado a Portugal, foi afastado da carreira diplomática e acabou por morrer em 1954, em Lisboa, numa situação de pobreza.

 

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