Uma nuvem de poeira proveniente de África, do Saara, abateu-se sobre a região Centro, incluindo, pelo menos, a área do concelho de Oliveira do Hospital até Celorico da Beira, depois de ter afectado a espaço espanhol de Múrcia, no sudeste do país. A Agência Estatal de Meteorologia de do país vizinho (AEMET) explica que a nuvem vai espalhar-se pela Península Ibérica, pela zona ocidental do Mediterrâneo podendo atingir algumas áreas do norte da Europa. O fenómeno deverá prolongar-se até quinta-feira.
“O céu e o horizonte estão completamente encobertos por nuvens densas de uma poeira finíssima. Como se fosse nevoeira”, explicou ao CBS João Dinis, de Vila Franca da Beira, Oliveira do Hospital, que se apercebeu do fenómeno logo pela manhã. “Mas continua na mesma. É uma espécie de nevoeiro cerrado, amarelado, terroso”, sublinha, chamando a atenção que este é mais um fenómeno que faz sobressair a ausência de floresta. “É um sinal da falta que nos faz”, continua João Dinis, aconselhando que aqueles que tenham problemas cardiorrespiratórios provavelmente deveriam evitar aquele ar. “A máscara anti covid tem agora para mim tem uma dupla uma dupla finalidade”, conta.
O mesmo relato é feito pelo oliveirense José Miguel que diz não compreender o que se está a passar. “Até para conduzir não é muito agradável porque istro é tipo nevoeiro só que alaranjado e terroso”, conta este comercial. “Não deve fazer muito bem à saúde”, conclui.
O meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Bruno Café, explicou que todo o território nacional pode ser atingido, em particular o interior Norte e Centro, por estas poeiras oriundas do norte de África. “Tem origem no norte de África e tem que ver com a intensificação e aproximação da tempestade Célia que acabou por levantar muita poeira para a atmosfera que agora acaba por atingir Portugal Continental, em particular o interior Norte e Centro”. O meteorologista disse ainda que “este episódio se vai prolongar até dia 17”, porque a depressão Célia “mantém o quadrante leste sobre Portugal Continental” e há “uma intensificação do anticiclone mais a Norte”.
Direcção-Geral de Saúde recomenda que fiquem em casa crianças e grupos de risco
Direcção-Geral de Saúde recomenda que crianças, idosos, doentes respiratórios (nomeadamente asmáticos) e doentes do foro cardiovascular tentem permanecer em casa, ou no interior de edifícios, idealmente com as janelas fechadas, devido às poeiras vindas do norte de África.
Numa nota publicada na página da DGS, a autoridade de saúde alerta que estas poeiras têm “efeitos na saúde humana, principalmente na população mais sensível, crianças e idosos, cujos cuidados de saúde devem ser redobrados durante a ocorrência destas situações”.
Por isso, até quinta-feira, dia 17 de Março, a Direcção-Geral da Saúde recomenda que a população em geral evite “esforços prolongados, limitar a actividade física ao ar livre e evitar a exposição a factores de risco, tais como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes”. No caso dos grupos de maior vulnerabilidade “para além de cumprirem as recomendações para a população em geral”, devem “permanecer no interior dos edifícios e, preferencialmente, com as janelas fechadas”.
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