Foi empresário da restauração, passou por África, é oliveirense e sportinguista desde sempre. Com 81 anos, António Costa continua a apoiar o seu clube do coração e ainda se mantém na direcção do núcleo do Sporting Clube de Portugal de Oliveira do Hospital que ajudou a fundar em 1991. Mas a sua ligação ao emblema leonino vem de longe. Ganhou destaque no final da década de 70 e início de 80 quando a direcção achou por bem contratar os seus serviços para servir a alimentação a todas as camadas jovens. Desde os infantis aos juniores.
“Aquilo estava um pouco desorganizado e os jogadores em vez de comer chegavam a comprar tabaco. Vieram falar comigo que tinha nas proximidades do estádio um restaurante. Aceitei. E os resultados começaram a aparecer em pouco tempo porque os atletas começaram a ser alimentados de acordo com regras, muitas vezes ficando eu sem grande lucro. Mas era o Sporting…”, conta olhando para o vasto número de sportinguistas que encheu um pavilhão em Midões, onde o empresário Fernando Tavares Pereira organizou tradicional Almoço Solidário para ajudar os núcleos do Sporting. “O que faz com que muitas destas estruturas tenham superado a pandemia e hoje ainda estejam activos devem-no a este homem [Fernando Tavares Pereira] que tem sido uma pessoa que, desinteressadamente, está sempre ao lado destas instituições”, sublinha António Costa que conviveu com estrelas como o Paulo Futre, Litos ou Venâncio.
Conseguiu mesmo que a equipa “treinada pelo saudoso “Bobby” Robson viesse fazer um jogo treino a Oliveira do Hospital”. E foi ele que levou Carlos Martins do Tourizense para o Sporting. “Também levei lá o Russo que faleceu recentemente…, mas nem todos ficavam”, conta com alguma emoção ao lembrar o jogador que conseguiu erguer um movimento solidário ímpar durante a sua doença. “Era uma pessoa fantástica”, diz António Costa, recordando que também Carlos Lopes e Aniceto Simões chegaram a realizar corridas em Oliveira do Hospital. “Tinha de os convencer e mesmo assim cobravam um prémiozito”, ri.
Este ex-empresário da restauração nunca virou as costas à terra que o viu nascer. Mantinha um restaurante em Oliveira do Hospital, o que o fazia deslocar-se à Beira Serra todas as semanas. E foi estabelecendo contacto com os sportinguistas locais, criando eventos que lhes permitissem trazer atletas do Sporting. “Isso é muito importante porque a paixão dos adeptos aumenta se for alimentada. Quando um clube vira as costas aos seus admiradores, algo vai muito mal”, nota, realçando que já naqueles tempos Fernando Tavares Pereira ajudava com a cedência do Hotel São Paulo. “É um homem que sempre este disposto a ajudar o clube do seu coração”.
Fundar um núcleo na sua cidade também foi sempre um objectivo de António Costa. Aconteceu em 1991, com a presença do presidente Dias da Cunha. Nascia o Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Oliveira do Hospital. Chegou a ter mais de duas centenas de associados. “Mas agora caiu muito”, lamenta, atribuindo culpas aos actuais dirigentes. “É inacreditável como num encontro de dezenas de sportinguistas e num evento tão importante para os núcleos. O Sporting tem de estreitar laços com os adeptos e devia juntar-se a este evento. Não pode pensar só em Lisboa. Os núcleos conseguem captar adeptos aqui no interior como no estrangeiro e perdendo núcleos e não conquistando títulos, o Sporting fica bem mais pobre. Estas estruturas são ‘embaixadas’ do clube”, conclui.
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