Fernando Tavares Pereira é candidato nas listas do PSD por Coimbra à legislativas de domingo. O empresário está convencido que Rui Rio é o homem indicado para gerir os destinos do país, ajudar os territórios de baixa densidade e acabar “com a confusão em que se encontra o país depois do governo PS”. Fernando Tavares Pereira diz ainda que não esconde, nem esquece, as suas origens humildes e promete defender o interior no Parlamento. “Jamais nos devemos esquecer daquilo que já fomos e do que somos…”, diz em entrevista ao CBS, prometendo ser no parlamento uma voz activa na defesa da verdadeira coesão territorial.
Qual a sua percepção destes dias de campanha?
Fizemos uma visita a todos os concelhos do distrito de Coimbra. O balanço é muito positivo. As pessoas falam connosco e fica claro que querem a mudança. Estão fartos de promessas e todos acreditam que o Rui Rio vai ser um bom Primeiro-Ministro para o nosso país.
Quais são as qualidades que fazem, no seu entender, de Rui Rio um bom Primeiro-ministro?
É um homem ponderado. Não promete aquilo que não consegue realizar. O grande problema do país é a
má gestão em que se encontra mergulhado. As pessoas antes de irem para qualquer lado deviam ser gestoras e adquirir experiência, faculdades que Rui Rio tem. O nosso país precisa de uma pessoa assim. Quando diz que faz, faz mesmo. O rigor e a responsabilidade ficaram patentes por onde ele passou. Rui Rio não teve problemas de ir à televisão dizer que o interior tem muitas necessidades e foi logo crucificado pelo PS que andou a dizer que ele não era nada a nível nacional. Depois chamou a atenção na comparação de Badajoz com Elvas, de Salamanca com a Guarda e de Vigo com Viana do Castelo. E mais uma vez tinha muita razão. Portugal nunca olhou para as zonas de fronteira. Já os espanhóis investiram e hoje o que se come num raio de 40 quilómetros naquelas regiões é proveniente do país vizinho. Hoje, já reconhecem razão a Rui Rio.
Quais os factores que, no seu entender, terão pesado na decisão de Rui Rio o integrar na lista de candidatos do PSD por Coimbra?
Convidou-me precisamente pela minha experiência e forma de ser. Sou um defensor do interior e foi-me buscar para defender esta região, o interior e identificar os problemas para os quais temos de encontrar respostas. Além disso, ele sabe que me pauto por cumprir as minhas obrigações e os meus deveres, que sou exigente e que nunca deixei ninguém para trás, tanto a nível social, como empresarial. Se ganhar as eleições e constituir Governo, sabe que pode contar comigo ao seu lado como uma pessoa competente, com provas dadas, conhecedora dos problemas do interior, onde há grandes necessidades e onde a coesão não tem chegado.
“Serei sempre o Fernando, aquela pessoa do povo que aos seis anos já andava com o pai a vender nas feiras”
Se vier a ser eleito não vai esquecer a população?
Nunca. Jamais nos devemos esquecer daquilo que já fomos e do que somos. Mas há gente nesta região, e digo isto com muita mágoa, que se esquecem rapidamente do passado. Depois de estarem no lugar que pretendem esquecem-se de tudo e de todos. Não sabem quem é que lhes deu um copo de água para beber, como se costuma dizer. É uma vergonha haver pessoas que prometeram tudo e não cumprirem nada. Ajudei muita gente e instituições do meu próprio bolso, porque acho que tenho essa dívida para com uma população que também já me ajudou. Mas há aqueles que nem com os recursos públicos fazem aquilo que prometeram…. Serei aquela pessoa do povo que aos seis anos já andava com o pai a vender pelas feiras.
Como deputado o que garante a estas pessoas?
O que posso assegurar é que aquilo que prometo é para cumprir. As pessoas sabem disso. Em contrapartida existem outras que prometem tudo e não fazem nada. No caso do IC6, IC7 e 37, fui uma das pessoas que mais pugnei, defendi, colaborei e gastei recursos para que essas obras fossem uma realidade. Há muita gente que fala, mas não diz nada. Houve quem tivesse dito, em altura de eleições, que se demitiam se o IC6 não fosse feito. Nem se demitiram e o IC6 continua onde o PS o deixou. É verdade que algumas obras se fizeram, mas houve 90 por cento delas que não se concretizaram. No meu entender, quando as pessoas não cumprem os seus deveres devem reconhecer que não têm condições para estar em lugares de decisão.
Está a falar do ex-presidente da Câmara de Oliveira do Hospital e que está na lista do PS?
Sim e espero que as pessoas de Oliveira do Hospital e da região não se esqueçam do que estou aqui a dizer. Depois daquilo que prometeu e não concretizou, se fosse eu pedia desculpa e nunca mais cá aparecia. Estar em lugares de decisão e nada ter feito pela região é realmente uma grande obra. As palavras levam-nas o vento. As pessoas só no futuro irão perceber que perderam muito. Basta ver as necessidades comuns. A água, os serviços, o emprego, o crescimento….
É muito critico em relação aos autarcas do interior…
O dinheiro do FEDER e da Coesão que era para vir para o interior vai beneficiar os territórios da faixa compreendida entre Vila Nova de Gaia até Loures. As Câmaras desta região, salvo as devidas excepções, deviam pugnar para que isso não acontecesse. Como também deviam protestar em relação ao TGV. Espanha e Portugal acordaram que atravesse a região do Alentejo e a da Beira Alta fica sem nada. Infelizmente, muito dos políticos oriundos desta região, mais uma vez com algumas honrosas excepções, só querem ir para o poder e depois esquecem-se dos seus conterrâneos, das suas origens.
Uma das formas de apoiar o interior passa por baixar os impostos? Por exemplo, o IRC para as empresas…
Pode baixar alguma coisa, mas não ajuda muito. As empresas só cinco ou seis anos depois de se instalarem é que vão ter IRC para pagar. Penso, sim, que devia haver uma baixa entre cinco a dez por cento na Segurança Social de forma a cativar mais empresas. E um valor idêntico no IRS para as famílias que aqui se queiram instalar. Para fomentar também a natalidade. Necessitamos de uma descriminação positiva para os territórios de baixa densidade, em que as pessoas tenham vantagens reais para vir para o interior. O projecto eleitoral do PSD também comtemplaá uma proposta de apoio do Estado à natalidade, dependendo da região do interior onde a famílias estejam inseridas.
Quais os sectores mais necessitados?
O que é que nós temos nas Beiras? De Portalegre para cima temos floresta e alguma agricultura. Mas não temos apoios nenhuns. Em que é que este Governo tem apoiado a floresta, mesmo depois dos incêndios? Praticamente zero. Porque é que não apoiam a floresta aqui, como apoiam a agricultura no Alentejo? Nós somos portugueses de terceira? Não somos iguais? Este governo prometeu tanto depois dos incêndios e nem nesse caso fizeram alguma coisa. E aqui, repito, os municípios tiveram culpa, porque não fizeram a força suficiente para os apoios chegarem cá. Enfim, temos água caríssima no consumo doméstico e, qualquer dia, falta-nos água para o que ainda existe na agricultura. Os agricultores e os empresários do interior têm de ter muita coragem para enfrentar tudo isto, a que se acrescenta a elevada carga de impostos. Para não falar nas multas em que o Governo é pródigo em aplicar aos cidadãos.
“Temos de investir verdadeiramente na formação profissional”
Que medidas defende para a floresta?
Acho que nada se faz sem as pessoas. É preciso escutar as pessoas. Plantar o território com as espécies
que estejam mais adaptadas em cada região. Uma medida prudente passaria por obrigar a plantar árvores de crescimento lento por cada 30 por cento ou 40 por cento de árvores de crescimento rápido. As pessoas têm de ter rendimentos, caso contrário não tomam conta da floresta. Quem é que está 30 ou 40 anos à espera de poder ter algum rendimento? Ninguém. Por isso, entendo que esta é uma medida sustentável do ponto de vista ambiental e financeiro. Se alguém conhecer um meio melhor que o apresente. Paralelamente, será necessário investir nas pessoas que estão no território e na pastorícia, bem como criar verdadeiros mosaicos florestais, que não sejam contínuos, para evitar grandes incêndio. Sem este investimento na floresta o problema do país será muito penoso, quer a nível de desertificação, quer do ponto de vista económico e ambiental.
Também é um critico da forma como funciona a formação profissional…
Toda a gente diz que há falta de mão de obra. É verdade que não existe. Mas também é verdade que não há formação. O que se faz nos Programas Ocupacionais (POC) é uma vergonha. São contratos de meio ano, onde não há formação nenhuma. O que devia existir era formação profissional orientada, a dois anos, porque as necessidades de cada concelho são diferentes. Queremos um carpinteiro e não temos, queremos um pedreiro e não temos, queremos um serralheiro e não temos. Estamos neste ponto. Considero que devíamos ir buscar os mestres que têm 60, 70 e mais anos, que ainda existem para transmitirem os seus conhecimentos em ambiente de formação profissional. Por exemplo, o Instituto Politécnico da Guarda que é uma instituição que defende a formação profissional. O nosso grupo [TAVFER] estabeleceu uma parceria com o IPG e estão a ser realizados cursos com 20 pessoas de electricidade ou mecânica em alguns concelhos. É um bom exemplo que merece ser seguido. Estamos a perder as nossas tradições e identidade, enquanto o dinheiro se evapora em POC’s que não servem para nada. Temos de inverter isto e investir verdadeiramente na formação profissional industrial e comercial, conforme as necessidades regionais. A produtividade aumenta e essas pessoas passam a ter vencimentos de outro nível.
“O que fizeram [com os enfermeiros] foi uma irresponsabilidade”
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Em Torredeita, concelho de Viseu, existe uma escola de formação profissional de cursos de dois anos. Os alunos meio ano antes de terminarem os cursos já têm emprego. Olhem para essa escola e vejam o que é que falta aqui. Temos de ver essas coisas boas e replicá-las. Se tivermos boa formação profissional, adequada às necessidades das empresas, não temos necessidade de mão de obra do exterior. Concordo que esse tipo de ajuda, como o apoio de reinserção, deve existir para pessoas que já não podem entrar no mercado de trabalho. Os outros deveriam ser apoiados, mas com formação profissional a sério, porque grande parte dessa gente tem capacidades para ajudar a sociedade.
Uma das suas críticas a este Governo prende-se com aquilo que classifica de falta de rigor na gestão dos recursos, como acontece na saúde…
Quando reduziram em cinco horas a carga horária aos enfermeiros, e não sou contra isso, pelo contrário, esqueceram-se de fazer contas. Não acautelaram o funcionamento dos serviços. Se fossem eficientes saberiam que tinham de contratar mais seis mil enfermeiros, um por cada seis a quem baixavam a carga horária. O que fizeram foi uma irresponsabilidade. Foi má gestão. Como é que os serviços poderiam funcionar normalmente? E parte dos problemas que o SNS está a atravessar têm a ver com o facto não ter sido acautelado este aspecto. As pessoas estão fartas destas atitudes do PS. Não sou eu que o digo, são aqueles que encontro na rua, alguns que até votam tendencialmente socialistas, mas que já não suportam o governo do António Costa. Precisamos é de oferecer a Rui Rio a possibilidade de governar, porque tem pessoas capazes para colocar nos diversos lugares. Temos de parar com esta série de erros. Tem de haver rigor, responsabilidade, dignidade e respeito. Isto são qualidades de Rui Rio e dos seus candidatos.
A cabeça de lista pelo PS por Coimbra é a ministra da Saúde. Marta Temido é uma das responsáveis pelo que o senhor diz ser esse mau estado da saúde?
Claro. É uma pessoa que muito tem prometido, mas tem feito muito pouco, em particular pelo interior e pelo distrito de Coimbra, que pouco conhece. Em Miranda do Corvo, por exemplo, temos um hospital que está todo montado, feito por uma IPSS, ou seja, uma instituição sem fins lucrativos, que trabalha com pessoas com os mais vários problemas. Não tem um dono privado, não pertence a um grande grupo privado protegido pelo Governo. Mas a senhora ministra e a presidente da ARS não tiveram cinco minutos para visitar o espaço e para ver de que maneira aquele hospital poderia contribuir para o bem comum. A instituição não pede um favorecimento, o que quer é as mesmas condições que o governo atribui a outras instituições do género.
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