Um jornal com cerca de 20 anos de história que fundei na Primavera de 1988 e cuja publicação suspendi em 2002.
Apesar do abate, o Correio da Beira Serra – tal como algumas árvores que resistem a todo o tipo de maus tratos –, deixou raízes e, na Primavera de 2006, voltou a “florir” nas bancas.
Conjuntamente com um conhecido mecenas, António Lopes, juntaram-se dois ingredientes indispensáveis a qualquer projecto: o capital financeiro e o capital humano.
Durante os últimos quatro anos, todos demos o nosso melhor. Mas, na verdade, o projecto – como já antes tinha acontecido – foi verdadeiramente espezinhado por um poder local que nunca deu mostras de convivência e respeito pelas mais elementares regras democrática.
Entre 2006 e 2009, nunca recebemos um cêntimo que fosse – por via da publicidade institucional, como é óbvio – do município de Oliveira do Hospital. Apertaram-nos o garrote financeiro e a empresa detentora do título do Correio da Beira Serra foi acumulando significativos prejuízos financeiros que, nos dias que correm, são impossíveis de recuperar.
Apesar das inúmeras falhas – temos suficiente humildade democrática para as reconhecer –, julgo que saímos todos de consciência tranquila. O Correio da Beira Serra foi uma pedrada no charco e, durante os últimos quatro anos, assumiu-se como o primeiro vigilante do poder local. Fê-lo com coragem, arrojo, inovação e espírito de missão. Mas, tal como as árvores, os jornais também se abatem!
Quem se preocupa com o desenvolvimento de Oliveira do Hospital e da região, sabe que a suspensão do Correio da Beira Serra representa uma enorme perda para o concelho. Congratulo-me, no entanto, por saber que existe já um conjunto de cidadãos que começam a dar passos firmes para que o projecto possa ser retomado dentro em breve. É uma luz ao fundo do túnel!
Como um dia disse um político da nossa praça, vou andar por aí e darei sempre o meu contributo para que essa ideia tenha pernas para andar. As pessoas de bem sabem que podem sempre contar comigo, mesmo apesar de eu não estar disponível para continuar a liderar um projecto dessa natureza.
Não tenho mais nada a dizer e, salvaguardando as raríssimas excepções, termino com uma célebre frase de Miguel Torga: “Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam.”
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc