Depois de ter aprovado o regulamento de gestão da Livraria do Mondego e do processo de consulta pública, a Câmara Municipal de Penacova formalizou, em Julho, junto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a candidatura daquele espaço a monumento nacional. A decisão foi divulgada pelo presidente daquela autarquia, Álvaro Coimbra, que salientou o facto do processo de candidatura ter sido foi feito em parceria com a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, numa equipa em que esteve envolvida a docente da Universidade de Coimbra Maria Helena Henriques, especialista em geologia.
Segundo o autarca, a integração da Livraria do Mondego na rede nacional de áreas protegidas irá permitir não apenas preservar aquele sítio de interesse geológico, mas avançar com uma estratégia da autarquia para valorizar aquele local. “Este é o primeiro passo para a valorização do geossítio. Queremos criar zonas de visitação e uma travessia entre as margens [a Livraria do Mondego fica nas margens do rio com o mesmo nome]”, avançou.
Além de uma travessia pedonal, a autarquia pretende criar zonas de visitação e um “pequeno edifício de acolhimento” que permita explicar e dar a conhecer a Livraria do Mondego aos visitantes, numa intervenção que não terá “grandes obras, para não estragar a paisagem natural”, disse.
Álvaro Coimbra sublinhou que aquele sítio já é reconhecido como local de interesse geológico desde o século XIX, por ser “um conjunto característico de rochas quartzíticas, em forma de estante de livros, numa zona paisagística muito relevante, numa garganta que separa a serra do Buçaco da Serra da Atalhada”.
O geossítio, cuja disposição das rochas se assemelha a uma estante de livros, foi esculpido pelo tempo ao longo de 400 milhões de anos. “Depois do que aconteceu com a construção do IP3, em que a Livraria do Mondego não foi muito bem tratada, chegou a altura de valorizar o monumento”, apontou.
Álvaro Coimbra recordou ainda que aquele sítio tem à sua volta “uma série de produtos turísticos”, como é o caso da rota da Estrada Nacional 2, o percurso pedestre da Grande Rota do Mondego e a Ecovia do Mondego, que também passa junto àquele conjunto geológico.
Caso haja classificação da Livraria do Mondego, a Câmara de Penacova pretende aproveitar “fundos disponíveis para poder apresentar um projecto” de valorização do espaço, referiu.
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