Com financiamento europeu e parceria entre empresas e universidades, o projecto RedSup4Health quer colocar a Beira Interior na vanguarda da nutrição funcional, combatendo doenças crónicas com frutos endógenos da região.
Os frutos vermelhos da Beira Interior, como a cereja do Fundão, o pêssego da Cova da Beira e o mirtilo, vão passar a ser utilizados na produção de suplementos alimentares naturais, através de um projecto liderado pela empresa farmacêutica Natural Green Biological, em parceria com o Instituto Politécnico da Guarda (IPG), a Universidade da Beira Interior (UBI) e a Universidade Católica Portuguesa. A iniciativa, que arranca em Junho e terá a duração de três anos, envolve também a empresa Cerfundão e será financiada em cerca de 1,1 milhões de euros por fundos do FEDER.
Designado RedSup4Health, o projecto tem como objectivo o desenvolvimento de suplementos alimentares líquidos e sólidos com base em frutos endógenos da região, aproveitando os seus compostos bioactivos com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antidiabéticas e anti obesidade. De acordo com Luís da Silva, investigador do IPG e responsável pelo projecto, “o RedSup4Health pretende contribuir para a prevenção e combate a um dos principais problemas globais de saúde e bem-estar, tirando partido do potencial existente na região interior de Portugal e dando um novo uso a produtos endógenos como a cereja do Fundão, o pêssego da Cova da Beira e o mirtilo da Beira Interior”.
A estratégia prevê sete áreas de actuação que incluem a caracterização química e biológica das matérias-primas, o desenvolvimento das fórmulas dos suplementos, testes pré-clínicos e a sua prototipagem, até à produção em lotes piloto. O objectivo é garantir que as propriedades dos frutos se mantêm nos novos produtos, tornando-os eficazes na prevenção da síndrome metabólica – um conjunto de factores de risco associados a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras patologias crónicas – e, ao mesmo tempo, competitivos nos mercados nacional e internacional.
“Ao reunir ciência, inovação e recursos endógenos, o RedSup4Health pretende, não só dar resposta ao preocupante aumento das doenças crónicas, que afectam seis em cada dez pessoas a nível mundial, como também promover a valorização económica de produtos locais, com vista à sua comercialização e internacionalização”, sublinha Luís da Silva.
Segundo o presidente do IPG, Joaquim Brigas, “este modelo de inovação colaborativa poderá colocar a Beira Interior no centro da vanguarda da nutrição funcional e da valorização dos recursos naturais”. O projecto, acrescenta, traduz-se numa oportunidade de reforçar a ligação entre ciência, território e bem-estar social, contribuindo também para a sustentabilidade e fixação de população em territórios de baixa densidade.
A promoção da bioeconomia regional, a diversificação da produção agrícola, o aproveitamento de frutos em fase avançada de maturação sem valor comercial e a criação de suplementos com benefícios comprovados para a saúde são algumas das metas da iniciativa. “Queremos lançar estes produtos em cadeias de valor internacionais, incluindo-os em soluções de alto valor acrescentado, como é o caso dos suplementos alimentares”, conclui Luís da Silva.
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