O presidente da Junta de Freguesia de Meruge denunciou ontem, na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, depósitos ilegais de isolantes de fios de telefone nos caminhos florestais da freguesia. Em causa, segundo João Abreu, estão toneladas de detritos resultantes da actuação de sucateiros, que descarnam fios de estruturas de comunicações destruídas pelos incêndios para posterior venda do metal. Os resíduos encontram-se depositados numa extensão de quatro a cinco quilómetros.
“É evidente que quem faz estes depósitos conhece o local, sabe o que faz e tem a convicção de que não será descoberto”, afirmou, sublinhando que a situação foi comunicada no dia 14 de Outubro à Câmara Municipal, ao SEPNA e à Agência Portuguesa do Ambiente.
“Foi comunicado a todas as entidades competentes. Até hoje não foi feito rigorosamente nada, nem para conter a situação, nem para remover os fios, o que era elementar”, acrescentou, sublinhando que os fios são descarregados por camiões directamente nos caminhos florestais, que ficam intransitáveis. “Nem sequer um tractor consegue passar”, frisou.
O presidente da Junta alertou ainda para o risco acrescido de incêndio associado à acumulação destes resíduos. “Trata-se de um combustível ideal. Quando houver um incêndio, o fogo propaga-se sem qualquer controlo.” Acrescentou que se trata de um problema da freguesia de Meruge, mas também de todo o concelho, defendendo que a freguesia “deve ser tratada com o respeito e a qualidade que os seus habitantes merecem”.
Já o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, afirmou que o assunto foi encaminhado para as entidades competentes e que o caso está a ser investigado pelo Ministério Público. O autarca explicou ainda que o município não dispõe de meios próprios para proceder à recolha dos detritos, admitindo que, em última instância, a Câmara poderá ter de contratar uma entidade especializada para remover e encaminhar os isolantes para o Planalto Beirão. “Teremos de ser nós a suportar a despesa resultante da reparação destas ilegalidades”, concluiu.
Os detritos, segundo João Abreu, encontram-se depositados no caminho que procede de leste, por detrás da fábrica de artefactos de cimento, propriedade da empresa Amadeu Gonçalves Cura e filhos, seguindo para oeste, em direcção à antena da Vodafone, o caminho foi completamente obstruído, tendo ali sido igualmente despejados vidros de portas e janelas. As outras deposições encontram-se no caminho que vai da fábrica AGCura, para leste, na direcção de Carragosela, alto dos Barreiros (Mocho e Olival das Almas), em transversais visíveis do caminho principal.
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