Rui Rio defendeu em Vila Nova de Tazem a descentralização dos serviços para que o país deixe de estar concentrado em Lisboa e Porto
O ex-presidente do PSD ficou rendido à tradicional “Tibornada” que se realiza nas Beiras e aproveitou o convívio promovido pelo empresário Fernando Tavares Pereira no lagar em Vila Nova de Tazem, concelho de Gouveia, para lembrar que estas tradições deveriam servir para recordar a quem manda no país que existe um interior cada vez mais desertificado. Rui Rio defendeu que os serviços públicos deveriam ser descentralizados, o que resolveria, em sua opinião, parte dos problemas com os territórios de baixa densidade a receberem população proveniente das grandes cidades.
“Quando se diz que Portugal tem uma crise de habitação, isso não é verdade. Há uma forte pressão sobre a casas em Lisboa e Porto. Aqui, no interior, esse problema não se coloca. E o interior também é Portugal”, defendeu Rui Rio que enalteceu a forma como o líder do Grupo Tavfer orienta os seus investimentos. “Fernando Tavares Pereira coloca acima de tudo a sua terra”, atirou, frisando que fazem falta mais empresários a investir no interior, uma região que, no seu entender, precisa de incentivos para atrair população e apostas empresariais.
“Há empresários que exercem a sua actividade em grande parte com o coração. É o caso de Fernando Tavares Pereira que mantém uma visão empresarial que não se fica pela rentabilidade. E investe nesta região. Outros empresários, no lugar dele, fechavam as empresas que estão por aqui e colocavam-nas onde dessem mais dinheiro”, continuou Rui Rio, salientando que toda a gente sabe “que o país está concentrado em Lisboa e um pouco no Porto”, com todas as adversidades que daí resultam. “Tem de se olhar para estas regiões de baixa densidade com outros olhos. Quando isso acontecer todos vão viver melhor. Estas regiões ganham população e diminui a pressão existente nos grandes centros urbanos. E a tão falada crise da habitação será mitigada”, frisou.
“A agricultura é o parente pobre da economia…”
Fernando Tavares Pereira, por seu lado, lembrou que o Grupo Tavfer continua a apostar no interior, apesar dos custos acrescidos que isso tem. “É que os políticos ainda não perceberam que nós não temos apenas deveres, também temos direitos”, frisou, salientando a aposta das suas empresas no sector primário. “A agricultura é o parente pobre da economia, mas o Grupo Tavfer mesmo assim tem nesta área 60 postos de trabalho. Temos de manter a nossa terra activa”, defendeu o empresário que voltou a ser muito critico para com os políticos.
“A Guarda tem perdido serviços e população, Coimbra vai pelo mesmo caminho e agora até pode perder o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra para Castelo Branco. A Guarda não recebe nada”, disse apontando que os próprios deputados e autarcas pouco fazem pela região. E lembrou o caso de Ana Abrunhosa. Temos uma ministra da Coesão, que até é deste distrito [Guarda], mas não fez nada pela sua região ou por criar uma maior harmonia entre as regiões”, acusou. “Porque não trazem os serviços para o interior, onde as rendas são mais baixas?”, questionou de seguida. “A ministra não é da Coesão. É sim da ‘descoesão’”, concluiu Fernando Tavares Pereira.
A presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Tazem também elogiou o trabalho desenvolvido por Fernando Tavares Pereira e reconheceu que os seus investimentos têm ajudado “a sobreviver estes territórios de baixa densidade”. “Precisamos de empresários como o senhor Fernando Tavares Pereira que com a seu dinamismo consegue dar vitalidade a estas regiões. Investe no interior, o que não é muito comum”, sublinhou Sandra cunha. “Os políticos têm de se mentalizar que o futuro do país passa por apostar no interior, até para permitir mais qualidade e vida nas grandes cidades. Vila Nova de Tazem, por exemplo, tem muita coisa boa para oferecer e estão todos convidados a visitarem-nos”, concluiu.
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