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Saga. Autor: Fernando Roldão

Saga é uma palavra que significa lenda ou aventura, consistindo em descrições de histórias de personagens famosas de uma determinada cultura ou religião.

São conhecidas três tipos: as reais, as genealógicas e as históricas.

Actualmente, o conceito mudou ligeiramente, onde uma série de livros, por exemplo, também pode ser denominada como uma saga.

Longas histórias, repletas de aventuras e incidentes também são consideradas sagas.

Existem várias e populares no cinema, como a “Star Wars”, mais recentemente, a Saga dos Fogos, a Saga dos Escândalos e muitas outras.

Os fogos em Portugal são uma longa história, repleta de tristes mirabolantes aventuras e gravíssimos acidentes com funestas consequências.

O povo na sua empírica sabedoria diz, que depois de vermos as barbas do vizinho a arder, colocamos as nossas de molho, o que infelizmente não tem acontecido.

O povo português, na sua ingenuidade, crendice repleta de medos, vai dramatizando as situações, apoiadas pela comunicação social, tenebrosa e ávida de desgraças.

Há sempre um microfone diante do infeliz cidadão que perdeu todo o trabalho de uma vida e quando não perdeu a dita de um familiar ou amigo.

Escandalosamente repetitivos, vão empolando a desgraça que se abateu sobre a população, propriedades e bens materiais, quais abutres sobrevoando os cadáveres.

O caos e o inferno vermelho, a cheirar a queimado, fazem parte das refeições de quem vê televisão, prolongando o sofrimento daqueles, que por incúria, desleixo ou acto criminoso provocados por outros, se vêm confrontados com o inferno.

Lamentavelmente não vejo a comunicação social a entrevistar aqueles em quem nós depositámos confiança para nos proteger, no bem e no mal, a encontrar responsáveis ou confrontá-los pela sua inoperância, incompetência ou dolo.

O argumento de que não temos dinheiro, já não pega, pois temos assistido a actos que o desmontam, pois como referi no meu último artigo, os milhões aparecem em catadupa quando se trata de fazer boa figura perante o exterior.

Fogos criminosos, apoiados por forças ou grupos de interesses, têm tornado Portugal num imenso deserto, onde o preto é o tom maioritário, trazendo na sua cauda, um rasto de destruição e morte.

A vigilância das matas e o seu ordenamento, foram aniquilados em prol de interesses obscuros, mafiosos e corporativos.

Não sou especialista em grelhadores, muito menos em fogos, mas quando se viaja pela Europa florestal, este panorama não existe, apesar de não ter certezas, tenho as minhas suspeitas, corroboradas por muitos portugueses, que em, segredo, vão murmurando; a indústria do fogo dá muito lucro.

Depois de termos vivido o inferno de 2017,onde, sempre os mesmos, defenderam que os fogos eram naturais, resultado de trovoadas secas ou falta de limpeza das matas, arquivando processos judiciais sem culpados, temos que chegar à conclusão, mais uma vez sem provas, de que haveriam interesses obscuros por detrás da fumaça e a dar corpo a essa teoria, a exploração mineral e os painéis foto voltaicos, brotaram da terra como que por “magia”..

Tenho que dar as condolências aos que perderam familiares nesta guerra desigual.

Agora é a notícia do dia, por todo o lado, com várias homenagens e mensagens.

O tempo que ainda irão durar, deve ser efémero, pois o passado recente sepultou centenas de concidadãos e nada se fez para acabar com estas tragédias.

Na generalidade há culpados para todo este caos, infelizmente não aparecem na especialidade e os que o são, não passam de meros peões num tabuleiro, onde as apostas são de valores impensáveis.

Tanto é ladrão o que vai à vinha, como o que fica de fora.

Eu acuso os que nos governam de falta de competência para zelar por nós, de falta de preparação para o sacerdócio, que é a causa pública, mas o grau de acusação sobe de tom e de gravidade, quando o povo, assiste impávido e sereno, à destruição do nosso país, onde tantos perderam a vida para o construir.

Choram os mortos, mas as lágrimas são de crocodilo, pois a cena repete-se.

Nós temos o poder de julgar e demitir estes incompetentes, que só nos têm trazido desgraças, que não vou enumerar, pois não tenho espaço suficiente para isso.

Portugueses, está na hora de deixarem de ser cúmplices destes mentirosos, hipócritas e traidores, sob pena de continuarem a ver o vosso país a arder.

Não alimentem a desgraça, mexam-se e arrumem a vossa casa, porque os principais culpados deste braseiro, somos todos, ao permitir que indivíduos, sem escrúpulos se pavoneiem, impunes e sem julgamento.

Não queiram continuar a ser cúmplices de criminosos incendiários.

Está nas vossas mãos premiar a competência e acabar com os parasitas partidários.

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

 

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