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Saudade… Autor: Fernando Roldão

Saudade, palavra triste
quando se perde um grande amor.
Na estrada, longa da vida,
Eu vou chorando, a minha dor.

A música “Meu Primeiro Amor” foi originalmente composta pelo músico paraguaio Hermínio Giménez como guarânia intitulada “Lejanias“.

No Brasil, a versão mais conhecida foi adaptada e ganhou letra em português por José Fortuna e Pinheirinho Júnior. A dupla sertaneja Cascatinha e Inhana foi quem popularizou a canção no Brasil, gravando-a em 1952.

Em Portugal o trio Odemira interpretou, gravou e popularizou-a.

Muitos estudiosos linguísticos, chegaram à conclusão de que esta palavra está em sétimo lugar no “ranking” das palavras mais difíceis de traduzir, pois é mais do que isso, é uma expressão que traduz um sentimento altamente carregado de significado cultural e o português com o seu temperamento sentimental, usa-a com devoção.

Ter saudades, não é ser saudosista, é antes uma forma sentimental de comparar o passado com o presente, com todas as consequências inerentes, sendo a principal, o facto de estarmos no presente e termos que o viver o melhor possível.

Ficar agarrado ao passado não nos permite encarar o presente numa perceptiva positiva, tolhendo-nos, por vezes, os pensamentos e as acções.

Ainda bem que a maior parte das pessoas tem saudades das coisas boas, deixando para trás as menos boas, mas, há sempre um mas, não usamos a saudade para avivar a memória evitando cairmos nos mesmos erros duas ou mais vezes.

Tenho saudades dos meus tempos de escola, que apesar de menos recursos tecnológicos e materiais, havia respeito pela escola, pelo pessoal auxiliar, pelos professores, onde as hierarquias eram respeitadas e a disciplina era mais apertada.

Tenho saudades da minha bata branca, que não distinguia os pobres dos ricos, os maus dos bons e os menos aplicados dos mais inteligentes.

Tenho saudades de ir para a escola a 1 de Outubro, todos os anos, sem nunca faltar professor para leccionar.

Tenho saudades das férias de verão em Setembro, onde havia mais espaço, menos pessoas e menos calor do que em Agosto. Os meus pais tinham posses para alugar uma casa, pois os preços eram acessíveis, e onde todos os anos tinha os meus colegas habituais para brincar, jogar à bola, saltar e cantar em roda.

Tenho saudades das ordens dos meus progenitores para estar em casa antes do pôr-do- sol., sem necessidade de guarda-costas, pois bastava o famoso cabo do mar para relembrar que as brincadeiras tinham terminado por aquele dia.

Tenho saudades de um país onde as pessoas respeitavam a autoridade e esta se fazia respeitar.

Tenho saudades dos governos, um pouco distantes e austeros, mas compostos de gente com mérito e entrega à causa pública.

Tenho saudades dos bailes ou festas, onde nos podíamos divertir e voltar para casa, a pé nos meio do nada, sem receio dos lobisomens ou outras assombrações.

Tenho saudades das serenatas às meninas do colégio, onde tínhamos a disciplina de terminar às 22 horas, apesar de algumas vezes ouvirmos um do nossos gritar “ vem aí o creme nívea”. Há pernas para que vos quero.

Tenho saudades da rivalidade, saudável, entre o liceu e a escola industrial e comercial.

Tenho saudade dos jogos de voleibol, futebol ou andebol, entre os dois estabelecimentos de ensino.

Tenho saudades dos campeonatos regionais de atletismo, onde a esperança de poder mostrar as nossas habilidades no estádio nacional e conhecer outros colegas de outros locais de Portugal, era o nosso grande objectivo.

Tenho saudades da Mocidade Portuguesa, onde nunca me falaram de política, mas aprendi primeiros socorros, a cozinhar, a coser as minhas roupas, conviver à volta da fogueira, cantando e declamando poesia.

Tenho saudades dos acampamentos, onde aprendi a sobreviver e a orientar-me no meio do escuro, através das estrelas, ganhando confiança em mim.

Tenho saudades da Policia Militar, onde aprendi disciplina e a ser responsável, mas sobretudo a lidar com o altruísmo, ao mesmo tempo que aprendi a lidar com armas, para, se necessário, defender o meu país e a mim próprio.

Aprendi a dormir no banco do carro, no meio do nada, sem ter medo de acordar roubado ou decapitado.

Tenho saudades de um país ordeiro, pacifico, seguro e cheio de patriotas, onde os defeitos eram suplantados pelas qualidades, sem esquecer que tivemos às portas de uma guerra mundial, que um governo, um homem, nos livrou dela, sendo que o mesmo já não se pode dizer dos 50 mil mortos que a jovem república causou nos campos de França.

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

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