Vila Franca da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, conta nesta época natalícia com um novo presépio artesanal colocado no largo da Capela. A obra, da autoria do vilafranquense António da Silva
Santos, não se limita a remeter para o nascimento de Jesus em Belém, na companhia de São José e da Virgem Maria. Vai mais longe. Depois de muitas horas de trabalho a esculpir as personagens e os adereços, o artista mostra, em 20 metros quadrados, muitas das tradições locais. Desde os moinhos, aos fornos onde era cozida a broa, passando pelo sarilho, instrumento utilizado para abrir poços, e a actividade matinal da população a dirigir-se para os campos.
A obra não deixa ninguém indiferente. “A diversificada arquitectura e a profusa decoração, provavelmente, erigem este presépio como um dos mais genuínos e artesanalmente elaborados, pelo menos, no nosso concelho”, conta o antigo presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira João Dinis, um dos muitos que neste domingo apreciaram a obra e que aconselha vivamente uma visita ao local. “Melhor do que falar sobre ele, será visitá-lo e apreciá-lo…”, remata.
O autor da obra, de 68 anos, também se mostra satisfeito com a reacção dos visitantes. “As pessoas passam e dizem que está bonito”, diz sem esconder uma ponta de orgulho. “O ano passado fiz um também um presépio, mas muito mais
modesto. Este ano aprimorei-me e aproveitei as criticas que me foram feitas naquela altura”, continua António da Silva Santos que começou a esculpir os primeiros bonecos do presépio em Março.
“Estou reformado, mas passo o tempo no campo e só me dedicava ao presépio nas horas livres. E há ali muitas coisas que deram imenso trabalho. Os moinhos, por exemplo, estão a trabalhar e a água a correr”, conta, lembrando que procurou mostrar o que era a vida das gentes daquela localidade nos tempos da sua juventude. “Por exemplo a fila
de pessoas com os mais diversos utensílios a caminho dos campos está lá, porque recordo-me da azafama que era pela manhã com a gente a caminho do campo, ou o forno onde era cozida a broa”, explica, referindo a terminar que o trabalho foi desenvolvido apenas por gosto e que não recebeu nada por isso. “A não ser o carinho das pessoas”, remata.
Fotos publicadas originalmente na página do facebook de Vila Franca da Beira, por Sérgio Correia
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