Viva o 5 de Outubro de 1910 ! Viva Portugal !
São gritos que eu interiorizo e até solto a toda a garganta, a mando do reconhecimento e de alguma emoção que nutro pela data, seu candente significado e seus principais protagonistas!
A 5 de Outubro de 1910 (de manhã) foi proclamada a República Portuguesa na sala nobre dos Paços do Concelho (da Câmara) de Lisboa e logo anunciada desde a Varanda do edifício e aclamada pelos muitos activistas desde cedo concentrados na Praça do Município. E chapéus de feitios vários, e bóinas e bonés foram entusiasticamente atirados ao ar pelos seus utilizadores em claro sinal de regozijo perante tamanho acontecimento.
Viv´á República ! Viva ! Viva Portugal ! Viva ! – foram gritos unânimes a aquecer o ambiente e os corações daquelas felizes Gentes !
Foi pois implantada a República Portuguesa em plena crise monárquica (D. Manuel II e seu primeiro-ministro à época Teixeira de Sousa) e crise social, e veio na sequência de um atribulado processo que especificamente já vinha em marcha desde há vários anos. Processo progressista que já antes tivera “sobressaltos” revolucionários e que bebia inspiração e objetivos desde pelo menos 1820 e da Revolução Liberal então concentrada no Porto.
Quase três anos antes (28 Janeiro de 1908), poucos dias antes do “Regicídio” (1 de Fevereiro de 1908), houvera a “intentona do Elevador da Biblioteca” que acabara mal para os amotinados onde se destacavam alguns dos principais líderes do Partido Republicano, também da Maçonaria e do seu ramo mais radical, a Carbonária, por exemplo Afonso Costa (natural de Seia) que mais tarde viria a ser um dos mais proeminentes governantes republicanos da “I República”.
Eis aqui, aliás, as forças organizadas mais actuantes na marcha para a implantação da República e da sua posterior condução e quer para o bem quer mesmo para algum mal. Tinham já participado, e mesmo organizado, o “Regicídio”, o atentado no Terreiro do Paço que a 1 de Fevereiro de 1908, vitimara o então rei D. Carlos e o príncipe seu primogénito e herdeiro natural ou “aparente”.
Essas organizações estiveram actuantes nos acontecimentos violentos – combates – escaramuças – motins – e imediatamente antecedentes – dias 3, 4 e 5 – da proclamação da República. Mas foram algumas centenas de soldados “puxados” por marinheiros e reforçados por centenas de populares voluntários que se sublevaram, combateram nas ruas e nos quarteis, tendo muitos deles morrido na Revolução e pela República.
Destaque para o Almirante Cândido dos Reis, um dos principais chefes militares da Revolução que se suicidou a 4 de Outubro, convencido de que a Revolução tinha fracassado. Destaque ainda para a “civil” Amélia Santos, uma mulher revolucionária muito destemida – é heroína nacional – que combateu de armas na mão ao lado dos soldados revoltosos na Rotunda da Avenida que estava transformada no “cento” dos confrontos armados com o especial apoio de navios de guerra revoltosos fundeados no Tejo e de onde o Palácio Real chegou a ser bombardeado. Destaque para o apoio entusiasta do Povo de Lisboa logo secundado por aderentes em vários outros pontos do País.
Aliás, a República, por assim dizermos, chegou a Oliveira do Hospital a 7 de Outubro e originou a data para o “Dia do Município de Oliveira do Hospital” que se mantém a 7 de Outubro.
A I República
Logo a 5 de Outubro, nos Paços do Concelho (Câmara Municipal) de Lisboa e depois de terminada a luta da “Revolução Nacional”, foi constituído o “Governo Provisório da República” chefiado por Teófilo Braga. Logo se avançou para a nova “Constituição da República Portuguesa” a qual veio a ser aprovada em 1911. De 20 de Agosto de 1911 e até 26 de Maio de 1915, foi Presidente da República, o Dr. Manuel de Arriaga distinto intelectual do seu tempo.
E os acontecimentos tomaram rumos a partir daí, desses dias memoráveis da implantação da República Portuguesa. Dias e seus protagonistas que vieram mudar a vida do nosso País e as nossas vidas, até hoje. E que vão perdurar no futuro apesar de tudo e para além das nossas próprias opiniões individuais sobre uma tal matéria.
5 de Outubro de 2022 – 112 anos depois !
Viva a República Portuguesa !
Viva Portugal !
Autor: João Dinis, Jano
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