O xadrez é um jogo de pura estratégia e táctica, onde dois jogadores são responsáveis por 32 peças, colocadas num tabuleiro de 64 casas. Estas são divididas alternadamente em cores claras e escuras, compostas por 1 rei, 1 dama, 2 torres, 2 bispos, 2 cavalos e 8 peões, com a finalidade de tomar posse das peças do adversário, até à prisão do rei.
Não vou falar das origens do xadrez, pois facilmente qualquer pessoa encontrará informação sobre o mesmo na internet, no entanto, posso adiantar que teve origem no oriente, há milhares de anos, tendo sido aperfeiçoado na Europa, sobretudo em Itália no século XVI.
Não é um jogo de sorte, antes pelo contrário, pois exige da parte dos participantes, muita atenção, concentração e estratégia, com a intenção de aprisionar o rei, jogada que tem como frase, o famoso xeque-mate, que finaliza o jogo.
A denominação de xadrez, foi progressivamente usada noutros jogos, passando pelo futebol, onde o treinador coloca as suas peças (jogadores) no campo segundo uma estratégia por ele delineada, que vai sendo alterada à medida que o jogo se vai desenrolando, até à estratégia geopolítica, onde os blocos, países ou continentes jogam a sua estratégia no xadrez económico, militar ou religioso, na maior parte das vezes com intenções hegemónicas..
Infelizmente, para a humanidade, no xadrez internacional, os primeiros a serem absorvidos, tal como no jogo, são os peões, que em primeira instância estavam a proteger o rei, dado que este só se protege apoiando-se nos mesmos.
Afinal, uma figura frágil e única, que só sobrevive mesmo, sacrificando os seus peões.
No tabuleiro, as peças vão sendo movidas às ordens do rei, dama, cavalo ou bispo, que normalmente motivam ou condicionam as intenções do mesmo, muitas vezes, com interesses diferentes e estratégias escondidas.
O mapa-mundo, não é mais do que um imenso jogo de xadrez, onde as intenções dos jogadores são destruir o adversário, independentemente dos prejuízos ou consequências saídas dessas jogadas políticas, porque afinal, é um jogo e tem que haver um vencedor.
O século XXI está a ser pródigo em jogos de xadrez, onde as regras são violadas, alteradas e viciadas a cada instante, o que não acontece com o jogo, onde estas estão bem definidas.
No entanto, o denominador comum neste horrível jogo do xadrez, são os peões, atirados aos leões, tal como nos “jogos” de circo, no tempo dos romanos e outros.
Nós, os peões, andamos a servir de carne e enchidos para canhão, para gáudio das torres, bispos e afins desta imensa arena, onde o sangue jorra como se fossem repuxos embelezadores de jardins, para deleite dos reis de pés de barro, mas de consciências pesadas.
No jogo real, alimentado muitas vezes por alguns peões, que na ânsia de mostrar vassalagem aos seus reis, trituram todas as peças que lhes aparecem pela frente, lembrando aquela celebre frase “que quem nasce jacaré, nunca chegará a crocodilo”.
Em pleno século XXI, com tanta informação, tantos conhecimentos, tanta tecnologia, o cérebro dos peões continua pequeno, pouco usado e obsoleto.
Estamos a assistir a desfiles de rebanhos de ovelhas, que em vez de lã, traem no seu dorso etiquetas ou bandeiras que nada representam para elas, a não ser fila para o abate para satisfazer a gula das élites sorvedoras de vidas alheias.
Temos que voltar às nossas origens, ou seja cada país por si, cada cultura por si, usufruindo da riqueza que cada uma das nações produza para si própria.
Esta coisa de pertencer a um clube, só beneficia os donos do mesmo, porque que quem corre atrás da bola, somos nós.
Não vou comentar o xadrez que se joga no tabuleiro real, pois de cada um dos lados há élites a usar e abusar de privilégios que não lhes pertencem, rebaixando e humilhando cada peão que se nega a entrar na jogada.
Uma mensagem final para si, que é peão, avive a sua memória, leia, pesquise para deixar de ser lacaio de gente sem escrupulosos, de parar de tirar pão da sua mesa para dar aos parasitas que se juntam, em organizações, que só defendem a sua qualidade de vida, os seus interesses, bem como a sua enorme falta de princípios humanitários.
Vivemos uma época de mentira institucional, onde a verdade é “persona non grata”.
O jogo do xadrez nunca poderá começar se os peões ficarem imóveis.
Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
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