Agora sim. Agora, a equipa “lá de cima ” está mesmo imbatível !
Ontem, 8 de Janeiro, caiu entre nós a notícia da morte de Franz Beckenbauer” jogador, treinador e dirigente de futebol de grande sucesso.
Apelidado no seu país natal, a Alemanha, de “kaiser” – imperador – o que lhe ia bem devido à forma “imperial” como jogava à bola e como “comandava” em campo, mais tarde nos treinos, companheiros e até adversários. Impressionava quem via !
Como futebolista ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar tendo sido campeão do mundo pela Alemanha e campeão europeu de Clubes pelo “seu” Bayern de Munique. Como treinador foi campeão mundial com a Selecção da Alemanha e como dirigente do Bayern também partilhou importantes títulos.
Foi avançado no início da sua carreira futebolística e centrocampista – jogou nesta posição em 1966, com 20 anos, na fase final (e mesmo na final) do Campeonato do Mundo, em Inglaterra – e passou para central-”líbero” onde se constituiu como o melhor de sempre nessa posição ! Era elegante a jogar, com visão ampla, periférica como se diz na gíria da bola. Posicionava-se e evoluía em campo com base tanto em ciência adquirida do jogo como em pura intuição. A bola parece que o escolhia de entre os outros jogadores para se ir encontrar com ele, viesse por alto ou rasteira. Tivemos entre nós, mais recentemente, um estupendo central – Ricardo Carvalho – que tinha “coisas” em que me fazia lembrar Beckenbauer.
Naquilo que os “intelectuais do couro” (teóricos do futebol) chamam agora de “1ª e 2ª fases de construção” – início de ataque ou contra-ataque – Beckenbauer lançava os seus Companheiros em passes longos ou mais curtos quando saia a jogar com a bola nos pés, cabeça levantada a dominar o espaço e o ritmo de jogo como um maestro a reger uma sinfonia futebolística em que também era solista ! Recordo-me da impressão que me causava vê-lo a fazer isso (na televisão, onde se pode apreciar melhor o pormenor, por vezes em repetição), a avançar com a bola à sua frente, junto aos pés. Os adversários tinham-lhe tanto respeito que até parecia que abriam alas, que o não queriam atacar, para o deixarem passar, por ali fora, a organizar o jogo… Um mestre entre os mestres mesmo quando (a gosto…) jogou com Pelé na equipa do Cosmos de Nova Iorque!
Morreu Beckenbauer e a bola ficou triste, de luto. E nós também.
“Sir” Bobby Charlton o careca “brilhante”.
E em Outubro passado já tinha falecido outro grande mestre da bola, “Sir” Bobby Charlton, um futebolista inglês cheio de estilo e “fair play” (jogo limpo). Jogou a médio ofensivo – fazia o nº 9, o “avançado de centro”, sem que nós e os adversários déssemos bem conta disso – ou seja, jogava com muita inteligência prática, com rapidez, habilidade e elegância também. Ao serviço nomeadamente do Manchester United e da Selecção de “Sua Majestade” a Rainha de Inglaterra que o veio a nomear de “Sir” (Senhor), também ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar. Além disso, foi um influente dirigente futebolístico. Note-se que foi um dos sobreviventes de um trágico acidente aéreo ocorrido a 6 de Fevereiro de 1958, em Munique, a seguir a um jogo que o Manchester fora disputar em Belgrado com o Estrela Vermelha, acidente que, entre outros, vitimou meia equipa do Manchester United à época.
Temos em relação a ele um grande “passivo futebolístico” e muito por sua culpa. Marcou-nos os dois golos da Selecção Inglesa, na meia final do Campeonato do Mundo de 1966, em que fomos derrotado pela Inglaterra, e por certas circunstâncias, por 2 -1. E “fez questão”em marcar golos ao Benfica das vezes que nos encontrámos com o Manchester United por esses tempos, anos sessenta. Inclusive foi “Bola de Ouro” da FIFA em 1966 com a “maldade” de o ter sido com apenas mais um voto na votação final – 81 votos – em que o “nosso” grande Eusébio foi segundo com 80 votos, uma diferença mínima ainda por cima conseguida por um voto “a mais” atribuído por um português “distraído”…
Bobby Charlton foi, por assim dizermos, um “carrasco” do futebol Luso embora o tenha sido com muita classe !
Ainda em 1970, na fase final do Mundial no México, já com 34 anos de idade, ainda ele foi um dos seleccionados pela Inglaterra, equipa que perdeu 1 – 0 mas que jogou “taco a taco” com a Selecção do Brasil, campeã do Mundo nesse ano com aquela equipa fabulosa que, porventura, foi a melhor e maior “constelação de craques da bola” que alguma vez jogaram juntos. Pois também cabe lembrar que nessa fase final desse Mundial de 1970, enquanto Bobby Charlton esteve em campo (foi sendo substituído) nunca a Inglaterra esteve em desvantagem nas disputas. Era aquela “careca brilhante” que se destacava pela falta de cabelo e pelo brilhantismo que punha no seu jogo. Um artista do jogo da bola, e dos pés à cabeça !
****
E sim, agora que Beckenbauer e Bobby Charlton se juntaram à equipa “lá cima” – a tal alegoria aos futebolistas já falecidos – agora é que essa equipa ficou mesmo imbatível caso fosse possível pô-los a jogar à bola na sua plenitude, ainda que em “playstation” (jogo vídeo de computador), com os melhores futebolistas vivos e também na sua plenitude.
Viva Franz Beckenbauer ! Viva Bobby Charlton ! Viva os Jogadores da Bola !
João Dinis, Jano.
(Um amante do Futebol-Jogado que gosta de falar sobre Futebol)
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc

