Ex-candidato do Chega acusa a autarquia oliveirense de não ter capacidade para atrair investimento para o concelho
António José Cardoso foi o candidato do Chega à presidência da CM de Oliveira do Hospital. Não conseguiu eleger nenhum vereador. Um ano depois, o líder concelhio do partido diz que o actual executivo “não fez nada” e acusa a autarquia oliveirense de ir colocando amigos do PS “no lugar de quadros competentes” que vão saindo. Garante que o município é incapaz de atrair investimento para o concelho e acusa o antigo presidente da CM de Oliveira do Hospital e agora deputado “de andar na política ao sabor dos seus interesses”.
CBS – Em Outubro apresentou um conjunto de perguntas ao presidente da CM de Oliveira o Hospital. Já recebeu as respostas?
António José Cardoso – Não. As perguntas foram enviadas por email ao presidente da Câmara e tinham a ver como uma série de obras que estão em andamento. Pretendia saber quando é que ficarão prontas. Até hoje ainda não tive resposta, apesar de José Francisco Rolo se ter comprometido a responder. Com esta atitude demonstrou uma enorme falta de respeito. Mas também me parece que não sabe o que responder sobre empreitadas como o Açude da Ribeira, Zona histórica, Estádio Municipal, Casa da Cultura e a Zona Industrial. Outra das perguntas era sobre a promessa de criação de 80 empregos e instalação de duas empresas na Zona industrial do Seixo da Beira, isto numa acção de campanha ilegal em Julho de 2021, pouco antes das eleições, o que levou o Chega a apresentar uma queixa à Comissão Nacional de Eleições.
Qual foi resultado dessa queixa?
Está em curso nos tribunais. A acção de campanha, liderada pelo anterior presidente José Carlos Alexandrino, não só foi ilegal no tempo, como se tratou de uma mentira. Prometeram um investimento de oito milhões de euros. Mas, como se vê, não há lá nada. Não criaram um único emprego. Perante estes factos é difícil responder. Já do outro lado do Mondego, o Grupo Valerius, para o qual trabalho, criou 120 empregos. Aqui tentámos gerar 30 postos de trabalho e na reunião preparatória fomos recebidos pelo assessor de imprensa. Diz muito sobre o executivo.
Tem sido muito critico em relação aos atrasos na Casa da Cultura e no Açude da Ribeira…
A reportagem que passou na TVI [sobre estes casos] envergonha os oliveirenses. A atribuição de empreitadas a empresas que não têm capacidade para as realizar é um dos mistérios que a Câmara deveria esclarecer. Na Casa da Cultura está envolvida uma firma que já estava referenciada como incapaz, quando não cumpriu na Escola Secundária. Ainda assim atribuíram-lhe outra obra. Legalmente, neste momento, essa empresa já teria de indemnizar o município em cera de 1,5 milhões de euros por atrasos. Não se entende o proteccionismo da Câmara para com algumas empresas. Porque é que são sempre as mesmas a ganhar os concursos e outras, também do concelho, que fazem obras públicas noutros municípios, não conseguem trabalhar em Oliveira do Hospital. Que promiscuidade é esta? No Açude da Ribeira há ali uma série de violações ambientais, paisagísticas, de toda a ordem…. É uma vergonha.
“…não há planeamento e prejudicam-se as empresas que estão a laborar”
A Câmara devia accionar a cláusula e exigir a indemnização?
Claro que sim. O senhor Presidente da Câmara não está a gerir dinheiro dele, mas sim o dos contribuintes. Se há uma parte que não cumpre, os munícipes têm o direito de reclamar os seus direitos. Há um contrato. A empresa quando assumiu fazer a obra sabia disso. Quem lhe entregou a empreitada também deve ser responsabilizado.
Há muitas críticas também em relação ao planeamento das obras na zona industrial. Qual é a sua posição em relação a este caso?
Vamos ser claros. Há uma coisa que ninguém fala que é o facto de a Câmara ter perdido quadros competentes na área do urbanismo, licenciamento e obras publicas, por reforma ou para o sector privado, que não foram substituídos. No seu lugar surgiram elementos ligados ao PS. Ou seja, a Câmara perdeu quadros competentes e ganhou funcionários. Empregos de favor. Depois não existe planeamento e prejudicam-se as empresas que estão a laborar naquela zona. Ninguém se preocupou com isso. Os empresários não foram ouvidos e deveriam tê-lo sido para se criarem condições de forma a minorar os efeitos das obras. Enfim, não se olhou para o presente, nem para o futuro. E não vão conseguir, nos próximos anos, criar ali um único novo posto de trabalho.
O que o leva a ser tão pessimista?
Porque não há ninguém na autarquia com capacidade para atrair investimento. Deveriam colocar os olhos na Câmara de Arganil e no trabalho que tem feito no parque industrial.
Há quem fale em acossamento política no concelho. Em sua opinião existe essa perseguição?
Há. Sinto-a a nível pessoal. Mas as pessoas começam a perder o medo. Depois há a recompensa para quem se porta bem. Temos um conjunto de entidades em que os contratados “amigos” vão rodando. Pessoas com contractos com a EPTOLIVA que estão a trabalhar noutros locais. Não entendo. Isto merecia uma investigação. É um sorvedouro de dinheiro público a favor dos “boys e girls”.
“José Carlos Alexandrino é o exemplo acabado de quem anda na política ao sabor dos seus interesses”
Mas este executivo foi eleito eleitos pelos oliveirenses…
Claro e respeitamos isso. Mas os oliveirenses também estão a ser responsabilizados. Ao fim de um ano, há muita gente que diz que votou no PS e que se arrepende.
Há quem diga que os autarcas da região não reivindicam o que deviam. Concorda?
Plenamente. Os que estavam pensaram apenas neles, os que vieram fizeram o mesmo. Não trouxeram nada de novo. O exemplo mais caricato é o do ex-presidente da Câmara de Oliveira do Hospital e agora deputado José Carlos Alexandrino. Ele, que tanto disse que não se candidatava, que se demitia, se não fizessem o IC6, agora vota contra a construção dessa via no Orçamento de Estado? Devia, no mínimo, ter manifestado o seu desagrado. Mas não é nada que me surpreenda nesta personagem. O José Carlos Alexandrino é o exemplo acabado de quem anda na política ao sabor dos seus interesses. É vergonhoso. Mas os vereadores e eleitos do PSD na CM de Oliveira do Hospital também têm feito uma oposição mansinha.
O Chega também tem estado afastado da discussão política concelhia…
Fomos claros há um ano. Dissemos que íamos dar tempo às pessoas eleitas para mostrarem trabalho. Ao
fim de um ano, não fizeram nada. Nem as obras terminam. Onde está, por exemplo, o estádio municipal? Os vereadores deviam ter pudor de ir ver os jogos a Tábua. Deviam ter vergonha de fazer da casa do vizinho a sala de recepção das suas visitas. É vergonhoso. Houve projectos do Estádio que andaram para trás e para a frente, alguns que foram pagos e nunca foram executados. Agora fala-se noutros. Chamámos a atenção para este problema na campanha eleitoral. Era fácil construir outro estádio para servir o clube e as escolas junto ao campus educativo. Bastava copiar as boas práticas de outros concelhos. Mas continuamos neste marasmo.
Como está o Chega em Oliveira do Hospital?
O Chega tem uma sede no concelho, reunimos semanalmente ao sábado e qualquer pessoa pode assistir e apresentar as suas propostas para melhorar a vida no concelho. Estamos abertos à sociedade civil e recebido alguma adesão. Tem existido alguma adesão, até porque começa a haver muita gente defraudada. Ao fim de um ano não há uma obra terminada, não existe uma melhoria dos serviços da Câmara. É uma rebaldaria. É o resultado de quem perde técnicos e ganha funcionários de favor. Basta ver onde estão empregados os elementos da concelhia socialista.
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