… cada vez mais, como uma importante ferramenta de trabalho e, mesmo, de aprendizagem. Mas, o acesso aos computadores nem sempre é visto de forma tranquila. Diz-se que a agressividade e os comportamentos de risco estão a aumentar na população escolar. Diz-se que temos, cada vez mais, crianças em perigo. Perante situações complexas e de extremo sofrimento todos tentam encontrar um “responsável”. Mas, será legítimo responsabilizar os computadores, a televisão, o cinema, a música, etc? Parece-me, sinceramente, que não.
Quando ouço, estas e outras, questões, vindas de pais preocupados, não posso deixar de pensar nelas. E, quanto mais reflicto, mais tenho a certeza de que, não me preocupa a globalização do acesso às novas tecnologias.
Preocupam-me, sim, os pais que julgam que um computador poderá vir a ter mais influência na vida dos seus filhos do que eles próprios.
Preocupam-me aquelas crianças que, em vez de utilizar o computador como um meio de interacção com pais e/ou amigos, têm o computador como melhor amigo. Preocupam-me os pais que o permitem. Estou certa de que, se o computador, a playstation ou, agora, o Magalhães forem utilizados por pais e filhos, em conjunto, serão promotores de desenvolvimento mais do que de sofrimento.
Preocupa-me a falta de condições das nossas escolas – salas sobrelotadas, recreios sem condições. E, preocupa-me muito, o acesso a professores que parecem sempre insatisfeitos com a vida e com a sua escolha profissional e que, por isso mesmo, não ensinam, com qualidade, as nossas crianças.
Será imprescindível o recurso às novas tecnologias – e ao Magalhães – para o bom desenvolvimento e sucesso educativo dos alunos? Certamente que não. Mas, também me parece que o Magalhães não será um factor de risco para o desenvolvimento das crianças. Aliás, o acesso a qualquer meio de comunicação ou tecnologia, em qualquer população ou idade, é promotor de desenvolvimento, sempre que sob supervisão consistente de um adulto.
Assim, quer crianças, quer adolescentes, deverão ter acesso ao computador num “espaço comum”, onde o adulto, facilmente, possa supervisionar os conteúdos a que estão a aceder. Não quero com isto dizer que, as crianças e os adolescentes, não têm direito a ter privacidade e que os pais e professores podem “bisbilhotar” toda a sua vida. No entanto, cabe aos pais e/ou professores garantir a restrição do acesso a conteúdos desadequados para a idade.
Corroboro a preocupação da comunidade com o saudável desenvolvimento das nossas crianças, defendo a supervisão do acesso a conteúdos desadequados para menores e, parece-me, sinceramente, que a preocupação não se deve centrar no Magalhães mas, sim, nos inúmeros factores de risco a que, diariamente, as crianças estão sujeitas, protagonizados, tantas vezes, por aqueles que as rodeiam.
Carolina Veiga
Psicóloga
[email protected]
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc
