A Académica, actualmente a disputar a Liga 3, eliminou ontem o velho rival União de Coimbra (Campeonato de Portugal) na 1.ª eliminatória da Taça de Portugal. O reencontro entre as duas equipas, que se tinham defrontado pela última vez em Maio de 1984, há 39 anos, levou mais de dez mil pessoas ao Estádio.
A Académica garantiu o triunfo por 3-0 já no prolongamento, com golos de Chico e João Victor, que bisou. Nessa altura, a União de Coimbra já estava reduzida a dez elementos, por expulsão de Amaral.
Muito antes da hora do encontro, milhares de pessoas marcaram presença nas imediações do estádio em ambiente de festa, com adeptos dos dois clubes em saudável convívio, aproveitando o tempo soalheiro.
“Adoro ver este ambiente e estou emocionado ao ver as pessoas da Académica misturadas com as do União”, desabafou à agência Lusa Aristides Costa, de 78 anos, um entusiasta das ‘capas negras’, do tempo em que estudava na Escola Comercial de Coimbra.
Salientando que era do tempo da “rivalidade engraçada”, o septuagenário, residente no concelho de Tábua, distrito de Coimbra, salientou que uma harmonia como a de hoje “só em Coimbra”.
Ermindo Pedro Dias, de 69 anos, antigo atleta dos dois emblemas, que há 39 anos assistiu ao último jogo oficial entre as duas equipas, também não perdeu o jogo de hoje e disse ter saudades de uma “partida destas”.
“Torço pelos dois clubes e por um bom jogo, com ‘fair-play’”, enfatizou o antigo jogador, que alinhou pelo União em 1973, no ano em que subiu, pela única e primeira vez, à I Divisão Nacional, estando depois ao serviço doa secção de futebol da Académica em 1982.
Adepta do União desde 2015, Bárbara Iglésias, de 48 anos, também sente um “carinho especial” pela “briosa” e esperava uma tarde de alegria e festa na cidade “independentemente de quem ganhar”.
O filho Bernardo, de 14 anos, é sócio da Académica desde que nasceu e o filho João, de 11 anos, joga nos azuis da cruz de Santiago desde os quatro anos de idade.
Com histórias diferentes, a Académica, que milita actualmente na Liga 3, esteve 64 anos na I Divisão, e o União, que disputa o Campeonato de Portugal, apenas competiu no principal escalão do futebol nacional na época 1972/1973, precisamente na temporada em que o rival da cidade tinha sido despromovido à II Divisão Nacional.
Na segunda década deste milénio, os ‘azuis’ da cruz de Santiago entraram em processo de insolvência e foram obrigados a mudar o nome do clube para União 1919, numa referência ao ano de fundação.
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