Quero começar por afirmar que o mais notável nesta crise tem sido a forma colaborantíssima como, em geral, a População tem reagido e acatado instruções para quarentenas mais ou menos severas.
E afirmar que do mais lamentável tem sido a forma desencontrada e até contraditória como várias das Entidades envolvidas no processo, e com as maiores responsabilidades públicas na matéria, se têm comportado.
Também me “atrevo” a criticar a evidente sede de protagonismos, mais ou menos serôdios ou precipitados, como outras tantas dessas Entidades se comportam, a esse nível.
É verdade que, nesta situação, continua a haver o dever de observância do “princípio da precaução” no âmbito das tomadas de decisão que envolvam a saúde pública. Mas, por exemplo, considero inadmissível aquela orientação anunciada há umas três semanas, ou mais, pelo responsável da OMS, Organização Mundial de Saúde, segundo o qual o uso generalizado de máscaras de protecção era desaconselhável por poder ser do tipo “pior a emenda que o soneto”… É que, ao mesmo tempo, da China que já estava a controlar a epidemia local, quem estava no terreno a lidar e, repete-se, a controlar o problema, dizia e aconselhava exactamente o contrário ou seja, que é indispensável recorrer ao uso generalizados das máscaras de protecção. Acabo agora de ouvir a Ministra da Saúde de Portugal a fazer – só agora – esta mesma recomendação… Aliás, o mesmo responsável da OMS também já reconheceu o “erro”, embora não se tenha demitido nem (ainda) tenha sido demitido…
Cá no nosso País, aquelas “polémicas” entre o Ministério da Saúde e Misericórdias e Autarcas, essas “polémicas” constantes “só” servem para uns e outros se tentarem desculpabilizar e para fazer aumentar a sensação de insegurança colectiva. Ora bolas !
E como encarar este atraso – “criminoso” – em não se ter ido, cedo e de urgência, na emergência, fazer testes de despistagem ao vírus aos Utentes de Lares, acamados ou não ?! “Só” depois de algumas centenas de casos que vieram a público, com dezenas de mortos pelo “covid 19”, é que parece que as várias Entidades envolvidas se apressaram, agora, a fazer tais testes e, ainda assim, a reclamarem umas das outras… “Infelizes” dos Utentes – “infelizes” dos Idosos – que por lá andaram estes tempos desprotegidos. E dos profissionais dessas Instituições (quase) todas… É também verdade que este atraso já veio de um outro atraso inadmissível e que foi o atraso quanto ao apetrechamento – público e privado – dos materiais mais comuns de protecção – desinfectantes – máscaras – mesmo de testes — etc.
Os “Monólogos do Presidente”
Por cá, por este nosso Município – infelizmente – a epidemia chegou, aliás como era muito previsível, e apesar dos continuados “monólogos do Presidente” (da Câmara) com que temos sido mimoseados. São “monólogos” em espaços “encomendados” aos Órgãos da Comunicação Social local, onde, afinal, as repetições de ideias e certos “desabafos” pouco esclarecedores têm ocupado demasiado tempo e feito esquecer o mais essencial. E em que, não raro, surge a perversa insinuação de que nós – nos cafés (!) – é que estaremos a ter culpa pelos casos de doentes detectados e eventualmente por detectar… Mas não ! Nós somos vítimas, não somos culpados !
O “apagão” do(a) Delegado(a) de Saúde do Concelho.
Pois eu cá não posso deixar de me interrogar em como é possível que, numa situação de grave crise na saúde pública, como é possível que o(a) Delegado(a) de Saúde não apareça também a dar a cara para nos dizer “coisas” mais esclarecedoras sobre uma situação em que, afinal, é o(a) primeiro(a) responsável – saúde pública – no nosso Município ?! Estará a ser forçado(a) a manter-se calado(a) e “apagado(a)” ?? Estranho, muito estranho mesmo…
Haja tino !
Autor: João Dinis, Jano
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