Home - Opinião - António Costa: «Quo vadis? Quo venis?» (Para onde vais?  De onde vens?). Autor: Carlos Martelo

António Costa: «Quo vadis? Quo venis?» (Para onde vais?  De onde vens?). Autor: Carlos Martelo

Ele já vem da «Juventude Socialista». Foi Deputado na Assembleia da República de Portugal e no Parlamento Europeu. Foi Ministro e depois Primeiro-Ministro tendo passado pela Presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Chegou há meses a Primeiro-Ministro demissionário e demitido.  Neste entretanto, passou por entre os (grossos) pingos da chuva do «excêntrico» caso judicial «Influencer» movido pela Procuradoria-Geral da República do Ministério Público – com suspeitas de corrupção e de tráfico de influências.  Mas ao que se sabe sem ter sido constituído «arguido» apesar de este famigerado caso ter «justificado» o seu pedido de demissão do cargo de Primeiro-Ministro e a aceitação desse pedido por parte do Presidente da República. Ora, um tão completo como lustroso trajeto não se faz apenas com «sorte».  É necessário haver certas «competências» independentemente de nós concordarmos ou não com elas…

Eis aqui uma dessas notáveis «competências»: a manhosice (no sentido de ele ser «finório»).

Começou mais a «sério» a sua «cavalgada» ao fazer saltar António Seguro de Secretário-Geral do PS quando este acabara de ter ficado à frente, embora por «poucochinho», de umas eleições para o Parlamento Europeu (2014).  A seguir, com Costa já como Secretário-Geral do PS, este partido ficou atrás de PSD e CDS/PP nas Eleições Legislativas de 5 de Outubro de 2015.  Valeu-lhe então o «golpe de rins» do PCP cujo apoio parlamentar foi decisivo para Costa e o PS formarem governo. De facto, caso o PCP não se tivesse predisposto a apoiar o PS na Assembleia da República, António Costa teria sido «corrido» de Secretário-Geral do PS e dias depois dessas Eleições de 2015 «já era» … Mas também aqui, reconheça-se a «agilidade» e o apurado sentido de sobrevivência política de António Costa.

E lá esteve ele 8 anos como Primeiro-Ministro com uma maioria absoluta pelo meio (Janeiro de 2022 – a Março de 24).  Oito anos em que muito daquilo que na política deste sistema parece ser, mas que de facto não é…

O estranho caso «Influencer» que serviu de «gong»

a salvar Costa de «KO» político…

Paga direitos de autor, mas reproduzo: «cada cavadela de Costa dentro do seu próprio Partido, era para aí duas minhocas» com governantes (e autarcas) PS a aparecerem envolvidos, atrás, à frente e no meio, uns dos outros, em graves suspeitas de praticarem «coisas feias» e nada recomendáveis.  Inclusive, teve um «amigo» e Chefe de Gabinete que se revelou «colecionador» de muitas notas de Euro que arquivava em envelopes escondidos no seu gabinete oficial de trabalho, na residência oficial do Primeiro-Ministro!  Era uma autêntica «infeção crónica» que corroía governos e sobretudo ia afetando António Costa…

Ora, o «finório» avaliou, certamente com preocupação, as más perspetivas daí decorrentes para o seu presente e futuro políticos.

Nós não acreditamos que Costa desconhecesse o que se passava com determinadas investigações policiais/judiciais. Simplesmente, um Primeiro-Ministro que, de entre outras Entidades vocacionadas, reúne amiúde com o(a) Secretário(a)-Geral das polícias secretas, é de certeza informado que algo ou alguém da sua responsabilidade estão sob suspeita de graves ilícitos e a ser investigados…

Costa sentia o grande desgaste político e pessoal que as sucessivas situações internas, ao governo e ao seu partido, lhe causavam, a ele também Secretário-Geral do PS.

E agiu como o experiente jogador de xadrez político que de facto ele é.                          E acontece o «Influencer e correlativos», aquilo que já foi chamado de «golpe de Estado judiciário».  Então, Costa cavalgou o «Influencer», ultrapassou obstáculos sem cair, e encontra-se agora bem posicionado para quê?  Pois para se candidatar, com hipóteses de sucesso, a Presidente do Conselho Europeu, este um órgão institucional da União Europeia.  «Voilà»!  E como não assinalar a imagem de grande felicidade que transparece da fisionomia de António Costa depois da sua demissão, depois de se livrar dos seus vários «amigos» e de largar governo e direção do PS?…

E os «amigos» são para as ocasiões…

Esta é, aliás, uma velha tradição no PS e seus principais dirigentes. Quem não se lembra de Mário Soares e seu «mon ami Miterrand» e dos casos tóxicos dos «fax de Macau»??  E do «amigo filantrópico» dos milhões doados a José Sócrates?…

Pois agora o «amigo» mais fixe de António Costa parece, parece, ser Luís Montenegro com aquela manobra de diversão ensaiada na noite (9 de Junho) das Eleições para o Parlamento Europeu em torno do seu apoio incondicional, e do PSD, a António Costa para presidente do Conselho Europeu?  Claro que os «amigos» são para as ocasiões…  E quais serão outros «amigos», tipo aqueles «que continuam a mandar nisto tudo», afinal os donos dos grandes grupos económicos e financeiros?  «Ecce Amicis» (eis os amigos)…

 

Carlos Martelo

 

 

Autor: Carlos Martelo

 

Caricatura por Luis Granena

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