
… pelo sargento-mor do Destacamento Territorial da GNR da Lousã… notando contundo que o mesmo se verifica em toda a área de abrangência.
Mas, falar de um aumento das queixas não é sinónimo de mais casos de violência. “As acções de informação e sensibilização sobre esta matéria levam a que as vítimas denunciem as agressões de que são objecto”, afirmou Lucénio Martins, sublinhando que – ainda que sem condições para avançar com dados concretos – Oliveira do Hospital “não foge à regra” daquilo que é a tendência regional e até nacional. Garantiu de que a GNR tem estado atenta a estes casos e que a percepção é de que a “situação não é alarmante”, embora tenha assegurado que as queixas acontecem todos os meses.
O responsável pelo destacamento da GNR da Lousã sublinha a importância que a alteração legislativa significou no campo da violência doméstica, permitindo às autoridades policiais encaminhar uma agressão para crime de natureza pública, mesmo sem a queixa da vítima. “Mesmo sem queixa podemos actuar”, referiu, acrescentando que as mulheres continuam a ser as mais vitimadas no seio familiar, embora tenham vindo a surgir casos de maridos vítimas de maus-tratos. “Em cada 10 vítimas, nove são mulheres e uma é homem”, adiantou, reiterando que o aumento das denúncias está directamente ligado ao incremento das acções de sensibilização sobre esta matéria que “levam as pessoas a entender que não têm que ser os bombos da festa”. Na GNR tem também aumentado o número de queixas de maus-tratos praticados sobre idosos.
Na área de intervenção do Destacamento que abrange os concelhos de Lousã, Oliveira do Hospital, Miranda do Corvo, Arganil, Tábua, Góis e Pampilhosa, o concelho oliveirense surge em segundo lugar – Lousã lidera o ranking – no volume de queixas apresentadas. A posição é justificada por Lucénio Martins com a densidade populacional do município, explicando que o mesmo se passa ao nível da restante criminalidade e sinistralidade.
Nos últimos 12 anos em Portugal…
O Inquérito Nacional sobre Violência de Género, de iniciativa governamental – os resultados foram divulgados esta semana – indica que nos últimos 12 anos, o fenómeno da violência doméstica terá abrandado na sua expressão, mas que são mais as vezes em que a vítima recorre a autoridades policiais. Os homens, que também são parte queixosa neste tipo de situações, procuram mais essa solução, enquanto as mulheres ainda reagem na sua maioria através do silêncio, indica o documento.
O estudo revela também que a maioria das vítimas atribui as agressões a ciúme e sentimento de posse, seguidos da diferença de valores e ainda do consumo de álcool. A técnica do isolamento da vítima é comum à maioria dos casos.
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