Chamas que se propagaram de Arganil mobilizam vasto dispositivo de combate e ameaçam aldeias do concelho
O incêndio que começou na freguesia do Piódão, concelho de Arganil, e que se estendeu ao município de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, permanece fora de controlo, levando o presidente da Câmara, Francisco Rolo, a antecipar uma noite de alerta reforçado. José Francisco Rolo indicou que uma das frentes mais preocupantes lavra na encosta entre o monte do Colcurinho e a povoação de Chão do Sobral, onde residem mais de 100 pessoas, algumas das quais, nomeadamente as mais idosas, foram previamente retiradas por precaução.
“Vai ser uma noite de alerta reforçado e de vigilância. Vamos ter aqui uma noite comprida e de muito trabalho”, afirmou o autarca, acrescentando que esta frente de fogo desce lentamente de uma zona muito íngreme, de matos densos e de difícil acesso.
O presidente da Câmara alertou ainda para a mudança de direcção do vento, que ora empurra o fogo em direcção à aldeia, ora retarda a progressão das chamas. “É importante que ele não passe um estradão que existe ali a meia encosta, porque aí sim, as coisas ganham outra proporção”, disse.
Os bombeiros estão a estudar formas de controlar o fogo, com a ajuda de maquinaria pesada para criar aceiros e linhas de corte de fogo, enquanto Francisco Rolo criticou a alegada não utilização de meios aéreos naquela frente durante a tarde. “Com duas ou três descargas, tinham resolvido o problema”, afirmou.
O autarca explicou ainda que grande parte da área afectada é de regeneração natural após os incêndios de 2017, composta por pinheiros e eucaliptos, tornando o combate às chamas ainda mais difícil.
Na aldeia de Gramaça, a população viveu “momentos de grande aflição” devido a um fenómeno extremo conhecido como ‘efeito chaminé’, que fez as chamas subir rapidamente, provocando danos em arrumos agrícolas, divisórias de madeira e quintais, mas sem feridos ou destruição de habitações.
Até às 21h02, de acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, o incêndio contava com 859 operacionais, apoiados por 272 viaturas e um meio aéreo, estando activas várias frentes e afectando também o concelho de Seia.
O município de Oliveira do Hospital apela à população para que siga as orientações das autoridades, mantenha atenção às mensagens de emergência e evite circular nas zonas florestais, reforçando a importância da colaboração de todos na protecção de pessoas e bens.
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