Nesta rentrée política e de regresso ao Correio da Beira Serra, inauguro uma sucessão de crónicas com o tema quente do momento: as eleições autárquicas.
Oliveira do Hospital, o nosso concelho, apesar da sua pequena dimensão, com apenas 19 mil habitantes, volta a surpreender pela intensidade da disputa política: cinco listas candidatas à Câmara Municipal e mais de seis centenas de candidatos distribuídos pelas candidaturas às Uniões e Juntas de Freguesia, pela Assembleia Municipal e pela Câmara Municipal. Números que, só por si, desmontam a ideia de desinteresse ou apatia no Interior e demonstram que a política local continua a mobilizar, a despertar vontades e a convocar cidadãos para um envolvimento direto na vida pública, que sente que a política local é feita no terreno, com rosto, com proximidade, mas também com muitos outros factores envolvidos: a coação para participar e não participar, a tentativa recorrente de condicionar as ideias e a vontade do eleitorado Oliveirense.
E não são apenas os de sempre. Há muitos jovens a envolver-se, a inscreverem o seu nome nas listas, a ocuparem lugares efetivamente elegíveis e a assumirem responsabilidades que, durante demasiado tempo, lhes foram negadas. Em várias candidaturas, essa renovação não é apenas de faz de conta, sente-se, vê-se e confirma-se nos nomes que surgem nas listas, em posições cimeiras e de destaque, como protagonistas, assumindo responsabilidades e renovando efetivamente os órgãos autárquicos e a sua divisão de responsabilidades.
É de louvar quem aposta numa renovação concreta, transversal, que não se esgota em promessas ou lugares de suplência, mas sim que existe, sente-se e transforma a composição dos órgãos autárquicos, demonstrando que é possível (e necessário) injectar sangue novo na política local. Exemplo claro dessa aposta é a integração de Rodrigo Marques, atual presidente da Juventude Social Democrata, com um percurso sólido no associativismo e reconhecido profissionalmente, como n.º 4 do PPD/PSD na lista candidata à Câmara Municipal. Um nome que simboliza renovação com responsabilidade, assegurando coesão intergeracional e provando que a juventude pode, e deve, estar no centro das decisões.
Mas não nos enganemos: este dinamismo generalizado não apaga a sombra pesada que paira sobre a liberdade política em Oliveira do Hospital – ou a falta desta.
Muitos são os oliveirenses que já ouviram familiares ou amigos admitirem que não participam, ou que participam contra vontade, em determinado projeto político no qual não acreditam nem se revêm, apenas porque lhes foi sugerido ou imposto que poderiam ganhar ou perder benefícios profissionais.
Ora, o poder local Oliveirense, alicerçado na Câmara Municipal é por isso agora um emaranhado de nomeações políticas, vínculos de emprego público disposto em entidades dependentes e interligadas à função pública autárquica.
É desta forma que o Partido Socialista de Oliveira do Hospital construiu ao longo dos últimos 16 anos uma rede capaz de condicionar, de intimidar e de dissuadir. Uma ferramenta clara de condicionar quem depende direta ou indiretamente da autarquia, sabendo diariamente o risco que corre ao levantar a voz contra o poder instalado. E, por isso, muitas candidaturas são travadas à nascença, muitas pessoas veem a sua capacidade e vontade de intervenção castradas e subjugadas à permanência do status quo concelhio. Não por falta de vontade dos Oliveirenses em mudar, mas por medo de retaliações para si, para as suas famílias e para os entes próximos.
Quem seria o Oliveirense que, num concelho onde o investimento é escasso e as oportunidades de emprego são limitadas, se atreveria a arriscar a segurança da família, da sua empresa ou dos seus dependentes? O poder socialista construiu precisamente nesse medo o alicerce da sua permanência: alimenta a dependência, capitaliza a fragilidade e ergue sobre ela um sistema de controlo político.
Enfim, a liberdade política cede, assim, espaço à chantagem e ao silêncio imposto pelo poder instalado.
É, por isso mesmo, ainda mais notável que, mesmo neste contexto, surjam tantas listas, tantos candidatos e tantas vozes dispostas a remar contra a corrente. Cada candidatura alternativa é, em si mesma, uma afirmação de coragem e de resistência: prova de que Oliveira do Hospital não pertence a nenhum partido, nem a nenhum grupo que queira controlá-la, mas sim às pessoas que aqui vivem e que se recusam ser silenciadas.
O concelho de Oliveira do Hospital exige uma Câmara Municipal capaz de governar com visão e planeamento, mas, acima de tudo, com competência. Competência para gerir recursos públicos de forma eficiente e garantir que cada euro investido reverte efetivamente em benefício da comunidade. Sem competência, a visão transforma-se em discurso vazio, a estratégia em improviso e a promessa em frustração. O Futuro do concelho depende de gestores que conheçam o território, percebam as necessidades reais das pessoas e consigam transformar intenções em resultados concretos, sem depender de atalhos.
No panorama atual, apenas uma candidatura alternativa reúne visão, experiência e competência para Construir o Futuro de Oliveira do Hospital. Uma candidatura que apresenta propostas concretas e capacidade real de execução, enquanto outros se limitam a discursos vazios e a uma verdadeira desorientação política. Governar exige coragem, rigor e competência, atributos que o PSD assume sem subterfúgios.
E é precisamente esta coragem que deve ser celebrada. Porque mais do que uma batalha eleitoral, o que está em jogo é a dignidade democrática de um concelho. As urnas decidirão quem governa, mas é a participação, livre, descomplexada e genuína, que decide se Oliveira do Hospital é, ou não, um concelho verdadeiramente livre.
É a Hora de se indignarem em e pela comunidade Oliveirense como um todo.
Oliveirenses, É a Hora!
Autora: Bárbara Coquim Serra
Correio da Beira Serra Jornal de Referência de Oliveira do Hospital e da região. Correio da Beira Serra – notícias da Região Centro – Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua, Seia, etc

