O Barro Negro de Molelos, que se encontra em vias de ser integrado no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, inaugurou o ciclo de “Exposições Vivas”, uma iniciativa promovida pelo Museu Terras de Besteiros e pelo Posto de Turismo de Tondela para destacar os ofícios tradicionais artesanais ainda vivos no concelho.
A mostra foi aberta na última sexta-feira, 14 de Março, pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Tondela, João Carlos Figueiredo, no Museu Terras de Besteiros, onde pode ser visitada até 29 de Março. Na sala de exposições temporárias estão patentes mais de uma dezena de peças de louça preta, incluindo a emblemática bilha dos segredos, jarras e candeeiros, bem como utensílios utilizados pelos oleiros, como a roda e a pintadeira. Os objectos foram escolhidos em colaboração com os artesãos, atendendo ao seu significado profissional e pessoal.
Na inauguração, João Carlos Figueiredo sublinhou a importância da iniciativa para a promoção do barro negro de Molelos, destacando-o como um dos elementos identitários mais fortes do concelho. O autarca adiantou que, após a conclusão do período de discussão pública no início de Março, a louça preta será inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, numa classificação resultante de um trabalho liderado pelo município, em parceria com a Junta de Freguesia de Molelos e os sete oleiros ainda em actividade.
“Na prática, isso vai querer dizer que o barro negro/louça preta deixa de ser da freguesia de Molelos, do concelho de Tondela, e passa a ser de Portugal. É essa a grande vantagem de fazer parte do inventário”, explicou João Carlos Figueiredo.
O presidente da Junta de Freguesia de Molelos, José António Dias, elogiou o empenho do município na preservação desta tradição, sublinhando a necessidade de salvaguardar um património que considera essencial para a freguesia, o concelho e o país. “Que os nossos oleiros continuem por muitos anos o seu trabalho e que promovam o concelho além-fronteiras”, acrescentou, convidando à participação na próxima edição da Soenga, a 24 e 25 de Maio, no Parque das Raposeiras.
A artesã Fernanda Marques agradeceu o apoio prestado pela autarquia e lamentou as dificuldades económicas do sector: “Gosto muito do que faço. Tenho pena que o artesanato não seja mais bem pago para poder ter uma ajudante e dedicar-me apenas à roda”. Já os irmãos António e José Lourosa reforçaram a importância da valorização da louça preta, um ofício que, na sua opinião, “não se pode deixar perder”.
Além da exposição, os visitantes do Museu Terras de Besteiros poderão ver os oleiros em acção, modelando o barro ao vivo. As demonstrações decorrem a 19 de Março, Dia Mundial do Artesão, entre as 10h00 e as 12h00 e das 14h30 às 16h30, e também nos dias 25 e 28 de Março, das 14h30 às 16h30. A entrada na exposição é gratuita e não requer inscrição prévia, salvo para grupos escolares.
O ciclo “Exposições Vivas” prosseguirá com destaque para outras artes tradicionais do concelho. Em Abril, entre os dias 7 e 30, será a vez da Cestaria e Flores de Madeira de Nandufe, enquanto o Linho de Castelões encerra a iniciativa com uma mostra entre 9 e 24 de Maio.
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