Que é feito do “Memorial” (monumento evocativo) às vítimas do Fogo Grande de 2017, prometido pela Câmara Municipal da época?
São de pintura ainda recente os altos “paredais” (pinturas em paredes) duplos que se podem apreciar em duas das faces/paredes (Norte e Este – se não nos falha a “Rosa dos Ventos”) do paralelepípedo na vertical que corresponde à suposta “torre de treino” do quartel da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital.
São altos e grandes, são simbólicos e são coloridos esses dois painéis. Com a sua composição figurativa, de facto, são uma homenagem aos Bombeiros no contexto, dizem-nos, do “Fogo Grande” de Outubro de 2017 em que o inferno e a tragédia desceram à nossa terra. Para isso, os painéis também recorrem à figura de uma jovem menina que entrega uma flor a um Bombeiro. Joga-se aí com o “simbolismo dos afectos” e do renascer das cinzas. Na face/parede virada a Norte, “só” dá Fogo, com um Bombeiro em primeiro plano e, lá no alto, com o símbolo dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital a destacar-se. Em baixo, há inscrições gráficas para serem lidas e apreciadas com calma.
Seja como for, os Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital homenageiam-se a si próprios e à sua Corporação, no caso muito através da actividade da sua “Associação de Jovens” que, é-nos dito, é a promotora do projecto o qual foi “apoiado” através do chamado “Orçamento Participativo Jovem” – municipal – após candidatura apresentada na Câmara Municipal em 2022 que deu acesso a um financiamento municipal até 10 ou 12 mil euros por projecto a executar.
Este conjunto em dois painéis é, digamos, uma “redundância” corporativa mas também não deixa de ser legítima uma tal opção por parte de quem afinal teve a iniciativa – os Bombeiros Voluntários Jovens de Oliveira do Hospital – destinada a revisitarmos algumas vivências e memórias que temos cravadas “a fogo” a partir dos funestos incêndios de 2017.
Falta-nos ainda a Homenagem visual, sentimental e iconográfica
ao Povo do concelho de Oliveira do Hospital!
Sim, que sem retirar mérito a quem quer que seja, reconhecendo o papel insubstituível dos Bombeiros, o “grande” Herói revelado no “Fogo Grande” de 2017 foi o Povo do concelho de Oliveira do Hospital (e da Região). E desse “Povão” saíram os mártires e os combatentes mais persistentes às chamas que nos causaram tanto medo, tanto desespero, tanto drama e tanto prejuízo. Nós estivemos lá bem dentro da situação e podemos testemunhar muito daquilo que aconteceu! E foi mesmo assim.
Que é feito do “Memorial” (monumento evocativo) às vítimas do Fogo Grande de 2017, prometido pela Câmara Municipal da época?
“Memorial” às vítimas que, em primeiro lugar, devem ser perpetuadas, mas também aos sobreviventes que somos quase todos nós. A noite de 15 para 16 de Outubro foi pavorosa com a tremenda ameaça daquelas chamas que queimavam tudo, ao mesmo tempo e em todo o lado! E nós conseguimos superar esses medos profundos pelo que também somos verdadeiros “heróis”!
Entretanto, voltemos a salientar a solidária mobilização geral destinada a minimizar perdas e danos e a reconfortar. Sim, que a tragédia e o drama foram colossais! E “não o queira jamais o tempo dar” (mesmo que “só” parecido…).
Câmara Municipal e principais Autarcas têm uma “dívida de honra” a pagar!
A promessa do agora aqui designado por “Memorial às Vitimas” (ou similar) do Fogo Grande, foi feita muito rapidamente pelo Executivo Municipal da época. Foi justo terem-no feito. Só que, até agora, já alguns anos passados, há nada !… Não pode ser ! E, por favor, não nos venham para cá agora sequer insinuar que este mural simbólico pintado pelos Jovens nas paredes da “torre” do Quartel dos Bombeiros, também é o tal “Memorial às Vítimas” prometido pela Câmara Municipal em 2017/18. Sim, poupem-nos a isso, por favor !…
Exige-se, sem tibiezas, que a Câmara Municipal cumpra rapidamente o prometido para homenagear as vítimas e a sua memória também dessa forma.
É uma “dívida de honra”, assumida em 2018, que esta Câmara deve pagar ! A dívida existe, sim senhor, e não prescreve. Falta demonstrar a honra por parte do “devedor”… E não fomos nós a fazer a promessa mas reclamamos que ela seja cumprida ! Aliás, já o devia ter sido e há anos !… Para que os nossos espíritos possam fluir sem mais remorsos !
Curvemos respeitosamente a nossa cabeça perante a memória da tragédia e do drama vividos em Outubro de 2017 e que atingiram tantas e tantos Conterrâneos!
João Dinis, Jano
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