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“Bilhete Postal” outra vez desde próximo ao “Reino do Pineal”. Autor: João Dinis

Transcorreu ano e pouco desde a “descoberta”, pela Comunicação Social cá do Concelho, do peculiar “Kingdon of Pineal” – como “eles” se designam – ou da sua tradução como “Reino do Pineal” que estamos em Portugal.

Sabe-se agora que, afinal, “eles” já estavam instalados e visíveis, desde 2019, no seu acampamento, mistura de habitações, tendas, rulotes (etc), situado ali, ainda dentro do nosso Concelho, na freguesia de Seixo da Beira, entre a Sobreda, Vale Torto e Chaveiral.  Eram e são uma comunidade muito especial de seres humanos que entendem fugir aos padrões de vida rotineiros.  Pelo menos teoricamente, estão no seu (deles) direito e, pelo menos teoricamente, assim devem ser encarados e respeitados.

Nós próprios só tivemos conhecimento da sua existência há pouco mais de um ano atrás, através de uma notícia acerca da ida de membros deste “Reino do Pineal” a uma reunião com o Presidente da Câmara Municipal que então designaram como o “prefeito” de Oliveira do Hospital.  Enfim, até aí nada de muito preocupante…

E logo no início de Julho do ano passado, nós publicámos no CBS, primeiro no “online”, um artigo de opinião em jeito de “Bilhete Postal” – aliás, o primeiro “opinião” a ser publicado sobre o tema:- “O peculiar ´Kingdon of Pineal´ (Reino do Pinea)”. Todavia, volto a assumir tudo aquilo que então escrevi no citado “Bilhete Postal”.  Reproduzo um subtítulo:- “As diferenças devem ser respeitadas. Autoridades Nacionais devem acompanhar sistematicamente o processo (desta comunidade).  É necessário ter muita sabedoria para actuar com ponderação e eficácia comedida”.  E antes deste subtítulo um outro:- “Ou em como o ser-se diferente não pode ser impor a diferença aos outros”.  Em suma, são dois subtítulos que sintetizam duas ideias fundamentais expressadas e a considerar neste complicado processo.

“Em terra para onde fores viver, faz como vires fazer”.  Ou, “Nem oito, nem oitenta”…

Transcrevo estas duas máximas da sabedoria popular que é aquela sabedoria mais testada pela vida.

Em Dezembro do ano passado, por acaso e por diferentes motivos, nós coincidimos com uns 30 Membros deste “Reino do Pineal” numa sessão pública da Câmara Municipal. Foram notórios o “aparato” cénico que “eles” protagonizaram e o seu discurso perante o Presidente e Vereadores da Câmara, em que sobressaíram as “diferenças” que faziam a fazem questão em salientar.  Desde logo a sua (deles) pretensão a constituírem um “reino independente”, ali enxertado no território municipal/nacional.

Por curiosidade, quando todos saímos do Salão Nobre dos Paços do Concelho, houve oportunidade para eu falar (em inglês, embora contrariado…) com alguns deles. Disse-lhes que se insistissem na sua pretensão, e na sua prática, em pretenderem vir a ter, ali, um “reino independente” em relação a Portugal, então mais cedo ou mais tarde iriam ter problemas. E rematei com o “conselho” muito prático do “em Terra para onde fores viver, faz como vires fazer” embora convencido que era a minha vez de exagerar numa pretensão…

“Nem oito nem oitenta!” …

Entretanto, passaram os dias e veio a público o pior com a morte (por doença) de uma Criança, “por dar ao registo oficial”, e a assumpção da sua cremação pela comunidade do “Reino”.  A ser assim, cometeram um crime grave perante a Lei e os Costumes Portugueses que, se estivessem na Índia e fossem Indus isso até seria normal.  Lá está a tal coisa…

Entretanto, o “Reino do Pineal” entrara no radar da grande comunicação social com grande “escândalo” na opinião pública…  Ora, só a partir daí é que as Autoridades Nacionais da tutela se puseram mais atentas ao que lá se passava. Afinal, 4 anos depois deles por cá se terem instalado e só após vários alertas para as tais “diferenças”.  E, de repente, as nossas Autoridades desencadeiam um processo de inspecção dentro do “Reino” e nisso exibem um exagerado e intimidatório aparato policial.  Pelos vistos, com a “prisão” e retirada forçada de espaço do “Reino do Pineal” de um ou dois dos seus Membros (?!).  Sim, foi um exagero com desproporção de forças e medidas de coacção !  É pois caso para reafirmar:- ”Nem oito nem oitenta!”…

Repovoar a nossa Região exige muita sabedoria e medidas práticas de integração.

Não esqueçamos nunca que esta nossa Região está a desertificar-se rapidamente.  Por isso mesmo, as políticas nacionais e municipais devem procurar convergir para se repovoar !

Assim, que medidas de verdadeira integração estão a ser definidas e correctamente aplicadas, por exemplo, para integrar mais harmoniosamente os “imigrantes” que estão no Município de Oliveira do Hospital ?  E que, segundo ouvimos, andarão por 2 000, portanto, na ordem dos 10% da População actual do Concelho ?

Pessoalmente, acho que falta essa capacidade prática a várias Entidades Públicas desde logo à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que procura “propaganda fácil” também nesta matéria.  Ora, os “imigrantes” não são todos iguais e até há uns mais diferentes do que outros.  E tal como diz o Povo:- “Mais vale prevenir que remediar!”…

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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