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Bola boa…Bola má…Assim vai o pontapé na bola. Autor: João Dinis

Volta e meia revisitamos o jogo da bola chamado de Futebol.

Futebol !  “Mais vale jogá-lo que julgá-lo – Mas julgue-o quem (já) não pode jogá-lo” … Eis uma síntese inspirada em outra síntese célebre…

Gostaríamos de participar num debate aprofundado acerca das novas “modas” que condicionam e espremem o moderno jogo da bola – o futebol eivado à categoria de “indústria” e de “negócio” puro e duro, para lucros de televisões, empresas de publicidade, empresários de jogadores, direcções e directores dos maiores clubes, redes de apostas desportivas, processos de preparação e monitorização dos atletas, especialização técnica e científica das ditas “equipas técnicas”, etc. Um sistema terrível em que o melhor são os jogadores mas que, na prática, os melhores deles são autênticos escravos de luxo e os restantes meros escravos…

Noutro plano de análise, há dias vi e ouvi na televisão uma entrevista de Jorge Valdano, ex-jogador da bola, campeão do mundo pela selecção da Argentina, (teve o privilégio de jogar com Maradona…) ex-treinador e ex-dirigente desportivo de topo.  Hoje, é um insigne pensador – um filósofo com experiência prática – um escritor espectacular a transmitir as suas ”visões” pessoais sobre futebol e seus contextos.  Já várias vezes eu tenho dito que Valdano, pelo que escreve – o futebol é um espectáculo global – e pela forma notável como o escreve, Valdano já merece um Prémio Nobel da Literatura !

Pois entre vários aspectos que muito apreciei, houve uma parte dessa entrevista que também me alegrou. É quando Valdano defende a necessidade do futebol de base “regressar à rua” o que entra em aspectos da “formação” de crianças e jovens, aspecto hoje central, inclusive para o “negócio” em torno do jogo da bola…  Por exemplo, referindo-se a Eusébio e a Cristiano Ronaldo, e sendo admirador confesso de ambos, Valdano ressaltou que, como futebolista, Eusébio foi fruto da sua propensão natural para ser “jogador da bola” (como Eusébio gostava de dizer), enquanto que Cristiano Ronaldo tem sido um futebolista “construído” com muito treino e muita capacidade física. Concordo.

Eu cá não sou nem serei treinador.  Faço por pensar o jogo da bola antes deste ser prioritariamente um “negócio”.  Quanto à hoje chamada de “formação” de crianças e jovens, logo desde antes da pré-profissionalização (14 anos), ela tende para produzir grandes e agressivos atletas, mesmo super-atletas, mais do que exímios (artistas) jogadores da bola, com ou sem ela nos pés.  Aliás, este sistema é idêntico para a generalidade dos atletas de alta competição.

Enfim, para dar uma ideia da alternativa que professo, eu cá, se fosse preparador de crianças e jovens pré-adolescentes, estimulava-os a brincar, a divertirem-se enquanto se relacionavam com a bola, com o espaço, com colegas e “adversários” no caso do futebol.  Praticaria o “Vá:- Brinquem…Brinquem ! Improvisem !  Divirtam-se !…” – e assim seria feito (pelo mesmo tentado) durante dois terços do chamado “treino”. E só muito gradualmente, e com o aperfeiçoamento da própria capacidade de compreensão do jogo por parte dos jovens, íamos evoluir no treino mais específico e na preparação do corpo e da mente para isso da tal “competição”.  A última das dimensões técnico-tácticas a atingir é a correcta noção “espácio-temporal” adaptada ao jogo da bola, incluindo a tal “visão periférica” para a frente, para os lados e para trás e, a seguir, é a dinâmica, com ritmos alternados, a montar no terreno em hora e meia de jogo, onde o “resultado” final não é a soma das dinâmicas dos jogadores utilizados mas a sua inter-acção, que o futebol-jogado é um jogo essencialmente colectivo apesar de nele sobressaírem os “cracalhões”. E não basta ser um bom “solista”, também é preciso saber jogar no e para o conjunto.

Aliás, os futebolistas, a começar pelos maiores entre os grandes craques, não são comparáveis entre si ao jeito do “este ou aquele é o melhor que aqueloutro”, embora haja padrões numéricos, mais objectivos, para os escalonar dessa forma. E algumas vezes nem nisso.  Os maiores craques dos últimos 20 anos, são Ronaldo e Messi até porque andam em alta competição há 20 anos seguidos, o que é notável !  Qual deles é o melhor ? Ora, não dá para os comparar que tão diferentes são um do outro.  Ambos são muito bons, umas “máquinas” !

Tributo a Di Maria – que não merecia o que lhe fizeram, no Benfica, nos últimos jogos !

Considero Di Maria um grande craque ! Pelo que sabe jogar, ele que já ganhou praticamente tudo o que há para ganhar no jogo da bola e à escala planetária.  Atenção que também foi campeão pelo Benfica…

De repente, Di Maria é abusivamente exposto a ridículo por um (des)treinador que o faz aquecer à vista de toda a gente e tarda e retarda em o meter em jogo quando também se notava que ele estava ansioso por entrar e “fazer coisas à Di Maria”…  Lá está, a desconsideração injusta por Di Maria mostra até que ponto estes craques, sendo craques, também são autênticos escravos embora “de luxo” como no caso em apreço…

“Não, não havia necessidade !”.    Viva Di Maria !

 

 

Autor: João Dinis, Jano

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