O Carnaval é uma festa de rua ou privada, onde se combinam elementos circenses, trajes, com críticas, sátiras e máscaras, que permitem esconder a individualidade diária.
Acabámos de sair de um carnaval, pelo menos de calendário, onde algumas pessoas ou elites, teimam em continuar o forrobodó pelo ano inteiro.
Não tiram as máscaras como a maioria dos foliões o faz, exactamente porque as suas estão agarradas às suas peles, o que por outras palavras, significa, que as suas são vitalícias e reais.
Forçosamente leva-me a escrever sobre os políticos, que brincam ao carnaval o ano todo, às custas dos que têm que trabalhar, dos ingénuos que se deixam levar por mascaradas muito bem elaboradas e muito convincentes.
Hoje vou falar de uma máscara, denominada Chega e que tem deliciado o povo, que tem acreditado nas bonitas palavras, pronunciadas num verdadeiro ambiente carnavalesco, criticando tudo e todos, mas que na realidade, é somente uma fantasia.
Eles falam o que o povo quer ouvir, tão sedento este está, que lhe seja feita justiça, que seja tratado como gente e não como mero figurante de um eterno corso carnavalesco, daí não se aperceberem que são os palhaços pobres no desfile dos donos disto tudo.
Os mascarados falam, berram, gesticulam, fazendo parecer que aquilo que dizem é para nosso bem, acabando por arrastar multidões para uma falácia gigantesca, no sentido de que a plebe os coloque no poleiro, onde possam continuar a cantar de galo, tentando abafar a voz do homem que apela por dignidade para si e para os seus.
Infelizmente vivi na primeira pessoa um episódio verdadeiramente carnavalesco, onde a verdade foi escondida e substituída por mentiras, mostrando que, afinal, o discurso empolgado que usam no parlamento é apenas uma forma de dar uso ao velho ditado que diz” faz o que eu digo, não faças o que eu faço”.
Fui um dos que acreditou na solidez do verniz com que o Chega pintou e apresentou o seu quadro, mas a verdade, como o azeite, um dia virá ao de cima.
Muitas máscaras caíram e vimos os rostos dos bajuladores, dos incitadores à revolta, não pelo povo, mas para os perpetuar no sítio onde estão, tentando puxar mais alguns para os lugares que eles estão a deixar vazios.
A politica é uma selva, de solo enlameado e onde os perigos são muitos.
Falar em liberdade ou democracia é fácil, pois até são palavras que ficam no ouvido.
Vou ser mais directo e chamar os animais pelos nomes, para que não haja equívocos ou possam ficar com suspeitas, de que pode ser isto ou aquilo.
Entre os seres humanos sempre houve e haverá diferenças de opinião e por vezes é preciso provocar os “justiceiros”para verificar a sua idoneidade moral.
Os militantes e simpatizantes do partido Chega em Oliveira do Hospital entraram em litígio com a sua superiora hierárquica dentro da estrutura partidária, tendo solicitado à Nacional, que interviesse na quezília, a fim de apurar a verdade e repor a ordem partidária.
Meus caros leitores, como disse lá atrás, vivi na primeira pessoa esta disputa e podem acreditar, que apesar de duas tentativas de chamar à liça, como se impunha, os líderes do partido, estes refugiaram-se no silêncio da sua arrogância e nem se dignaram responder.
Um líder que defende liberdade, democracia e tantos outros valores, por palavras, não desceu do seu trono para ouvir aqueles pobres plebeus que o ajudaram, com o seu esforço e voluntariado, a colocá-lo nesse mesmo trono.
Servirá este líder, que se esconde, para nos guiar no futuro, como ele tanto almeja?
Acho que não, pois o que o povo precisa é de acções e dialogo, coisa que está em défice nas contas entre nós e eles. Essa gente diz Chega e eu digo Basta!
Estas pessoas não mereciam o abandono de que foram alvo, pois sempre foram leais.
Basta de palavras bonitas para encantar os que vivem no limiar da pobreza, sem ter quem os defenda. Defender os desprotegidos, não é por em prática dotes oratórios, que só servem para os que acreditam no Pai Natal. Defender é dar voz àqueles que não a têm, é abrir caminho para os que precisam de ajuda na sua jornada e não para os obrigar a andar de gatas a servirem de trampolim para os demagogos e populistas que enchem esse partido, pois ele está realmente, PARTIDO.
Infelizmente para o país, Oliveira do Hospital não é caso único.
Autor: Fernando Roldão
Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico
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