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Carregal do Sal entre os alvos da PJ em mega-operação contra imigração ilegal e corrupção

Entre os detidos estão sete empresários, uma advogada e uma funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Grupo terá legalizado irregularmente milhares de imigrantes e movimentado milhões de euros em proventos ilícitos. 

Uma mega-operação coordenada pela Polícia Judiciária (PJ), através da Directoria do Centro, permitiu desmantelar um grupo criminoso organizado que se dedicaria de forma reiterada ao auxílio à imigração ilegal, à corrupção, ao branqueamento de capitais e à falsificação de documentos. Carregal do Sal foi um dos locais onde decorreram diligências, com a realização de buscas.

No âmbito da operação, que decorreu sob a direcção do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) Regional de Coimbra, foram detidas 13 pessoas – sete homens e seis mulheres – com idades entre os 26 e os 64 anos, incluindo sete empresários, uma advogada e uma funcionária da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

As autoridades realizaram 40 buscas domiciliárias e não domiciliárias, em vários pontos do país, nomeadamente em Coimbra, Espinho, Carregal do Sal, Amadora, Odivelas, Loures e Lisboa. No total, estiveram envolvidos cerca de 200 elementos da Polícia Judiciária, dois juízes, uma procuradora da República e representantes da Ordem dos Advogados.

De acordo com a PJ, a investigação teve início em Setembro de 2023 e permitiu concluir que o grupo se dedicava à legalização irregular e em larga escala de cidadãos estrangeiros em território nacional, obtendo em contrapartida avultadas quantias financeiras, que poderão ascender a vários milhões de euros.

Segundo as autoridades, os imigrantes eram angariados ainda nos países de origem, através de promessas de legalização em Portugal, mediante o pagamento de valores elevados. O grupo disponibilizava um conjunto de serviços que incluía a obtenção de contratos de trabalho, Número de Identificação Fiscal, Número de Segurança Social, Número de Utente do Serviço Nacional de Saúde, traduções e certificações de registos criminais, abertura de contas bancárias e emissão de atestados de residência, entre outros.

A investigação apurou ainda que muitos dos imigrantes que constavam como estando legalmente a residir e a trabalhar em Portugal se encontravam, na realidade, noutros países do espaço Schengen.

Durante as buscas foram apreendidos documentos relacionados com a legalização irregular de estrangeiros, 11 viaturas – algumas de alta cilindrada –, cerca de um milhão de euros em numerário, duas presas de elefante em marfim com cerca de 50 quilos, material usado na falsificação de documentos, incluindo um selo branco que seria utilizado para validar milhares de certificados de registo criminal.

Foi igualmente accionado o Gabinete de Recuperação de Activos – Centro, que procedeu ao arresto de seis imóveis (dois prédios rústicos e quatro urbanos), e ao congelamento de 35 contas bancárias, dois produtos financeiros associados à empresa de apostas BETANO e uma conta de cripto-activos da plataforma BINANCE.

Os detidos serão presentes às autoridades judiciárias competentes para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coacção.

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