A colocação de um contentor habitacional, esta manhã, à entrada da aldeia de Sevilha, concelho de Tábua, gerou protestos da população local. Envolvendo dois camiões, uma grua, corte de estrada e a presença de autarcas, a operação municipal visa alojar um jovem em situação precária, mas está a ser contestada por residentes que denunciam outras situações sociais graves negligenciadas. O vereador António Oliveira e o presidente da junta Francisco Pais admitem atrasos nos apoios do Primeiro Direito e garantem que o contentor poderá servir futuramente outras pessoas.
A colocação que hoje de manhã teve lugar num terreno à entrada de Sevilha, concelho de Tábua, de um contentor que irá servir de habitação a um jovem, Diogo, com problemas sociais e sem ocupação conhecida, está a suscitar uma onda de críticas por parte da população da localidade. Envolvendo grande aparato, com corte do acesso à aldeia, com recurso a dois camiões e uma grua, a operação contou com a presença de um vereador, do presidente da JF de Tábua, vários funcionários e técnicos da Câmara Municipal.
Alguns populares de Sevilha contestam os critérios seguidos pela Câmara Municipal, referindo essas pessoas com quem contatamos, que na localidade, “assim como em todo o concelho de Tábua”, frisam, existem outras situações graves de sobrevivência: “Aqui em Sevilha há o caso de uma senhora viúva cujo marido morreu devido a um grave acidente e que sobrevive com uma baixa pensão de sobrevivência e que tem de andar a cultivar batatas e couves para não morrer à fome, e ainda tem de pagar a renda da casa, vivendo com aquilo que o filho lhe dá, que é pouco, pois trabalha nas obras. Mas a essa senhora a câmara não liga. Este, que não trabalha, que é desempregado profissional, que chega a dar a comida que o povo lhe leva aos animais, facilitam-lhe a vida. É por estas e por outras que o Chega está a subir nas eleições”, disse-nos um residente em Sevilha, que não permitiu que lhe tirássemos fotografias.
Assim como o agora residente no contentor, que recusou prestar-nos declarações. Apenas o vereador com o pelouro da Inclusão Social e Igualdade, António Oliveira e o Presidente da JF de Tábua, Francisco Pais, que encontramos no local, nos explicaram, em termos informais, que o jovem habitava em condições sub-humanas, depois da casa ter ardido há dois anos.
O Município ainda tentou reconstruir a habitação em ruínas, mas as candidaturas para essa reconstrução afetas ao Primeiro Direito financiado pelo PRR estão “extremamente atrasadas e optou-se pela cedência deste contentor, tendo sido estabelecido um protocolo”.
“Se mais tarde, houver possibilidade de recuperar a casa, este contentor pode servir para outras pessoas com idênticos problemas”, acrescentaram. Soubemos, entretanto, que o Município está a tentar providenciar a aquisição do equipamento para colocar no interior do contentor, nomeadamente, eletrodomésticos.
José Leite
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